'Cadê a pistola?', questiona pai de menino morto durante tiroteio em UPP

Moradores da Camarista Méier dizem que não havia arma perto de corpo da criança. PMs alegaram que ele já foi apreendido

Por O Dia

Rio - No dia em que completaria 12 anos, Patrick Ferreira de Queiroz não vai ganhar brinquedos ou bolo de aniversário. Deverá receber apenas flores em seu enterro, que possivelmente será marcado para este sábado. O garoto levou três tiros nas costas na manhã desta quinta-feira, durante operação policial no Morro da Cachoeira Grande, Complexo do Lins. Segundo o pai do garoto, o ajudante de caminhão Daniel Pinheiro de Queiroz, 48, Patrick foi alvejado por PMs da UPP Camarista Méier.

Em nota a Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) afirmou que houve troca de tiros com traficantes. Segundo o texto, com o garoto foi apreendida uma pistola, uma mochila e um rádio transmissor. “Cadê a pistola?”, questionou o pai do menino no Instituto Médico-Legal, onde não conseguiu liberar o corpo do filho, que foi removido sem documentação.

Patrick faria 12 anos sábado e parentes dizem que tinha medo da políciaDivulgação

“Balearam Patrick perto da minha casa. Quando saí, ouvi que ele pedia socorro, mas os PMs isolaram o local e me ameaçaram. Disseram que se eu fosse socorrer meu filho, seria o segundo cadáver”, contou Daniel. Ele diz que não havia qualquer pistola no chão, perto do corpo do garoto. “Disseram que um morador tentou pegar a arma e a recolheram”.

O clima na comunidade ficou tenso durante todo o dia, com reforço de patrulhamento e parte do comércio fechado no Morro do Gambá, Cachoeira e Cahoeirinha, além de todo o entorno do Hospital Marcílio Dias.

A morte do menino chocou os vizinhos. A prima Denise da Silva, que mora ao lado, quase desmaiou ao ver o corpo de Patrick. “Ele tinha três buracos nas costas e o pulmão saiu pela frente do corpo”, contou.

Dois policiais da UPP Camarista Méier, que patrulhavam nesta quinta à noite a comunidade, disseram que Patrick foi apreendido na semana passada com drogas e levado para a 25ª DP (Engenho Novo). De acordo com o relato, ele teria chorado muito na delegacia, disse estar arrependido e que não trabalharia mais para o tráfico. Eles contaram também que o garoto ameaçava os PMs pelo rádio e já tinha trocado tiros com algumas guarnições.

A irmã do garoto, Scarlet Ferreira de Queiroz, 20, desmente a informação de que o ele teria ligação com o tráfico. “Era um menino medroso, não brigava na rua. Então, como ele iria enfrentar a polícia?”. A UPP Camarista Méier foi inaugurada em 2013. Em outubro do ano passado, na mesma região, dois contêineres foram incendiados, deixando três feridos. O registro foi feito na 25ª DP, que apreendeu as armas dos PMs. As investigações estão a cargo da 26ª DP (Todos os Santos). A CPP abriu Inquérito Policial Militar para apurar o caso.

Últimas de Rio De Janeiro