Testemunha de defesa acusa delator de agredir e perseguir manifestantes

Eduarda Alberto, que participava dos atos, diz que Felipe Braz acusou 23 ativistas de violência em protestos para se vingar

Por O Dia

Rio - O juiz da 27ª Vara Criminal do Rio, Flávio Itabaiana, ouve nesta quinta-feira, testemunhas de defesa dos 23 ativistas acusados de atos violentos em protestos, durante a terceira audiência de instrução e julgamento do caso. Uma delas, a feminista Eduarda Alberto, que participava dos atos, acusou o principal delator do grupo, o jovem Felipe Braz, de agressão e perseguição aos manifestantes. 

Eduarda relatou a agressão que sofreu de Felipe, que, segundo ela, tentou lhe dar um soco durante uma manifestação: "Ele tem um comportamento machista, não tolera ter suas atitudes questionadas por mulheres", declarou.  Ela afirmou ainda que o jovem que acusou os 23 ativistas de violência em protestos é uma pessoa vingativa.

Caio Souza%2C Fábio Raposo e Igor Mendes estão presos e respondem por formação de quadrilha, eles participaram de audiência realizada na segunda e nesta quinta-feiraCarlo Wrede / Agência O Dia

"A presença dele é ameaçadora. Ele é vingativo e dirigiu seu ódio sobretudo às mulheres que questionaram a perseguição obsessiva dele contra a sua ex-namorada, a Isabela Mendonça", contou a jovem. 

Nesta segunda-feira, o delegado responsável pelo indiciamento dos 23 ativistas, Alessandro Thiers, foi ouvido por Itabaiana como testemunha de acusação. Durante o seu depoimento, ele foi interpelado pelos advogados dos réus, que afirmaram que houve manipulação na condução do inquérito. 

Na audiência, o juiz advertiu ainda seis réus que chegaram a protestar dentro do tribunal. O magistrado afirmou que a postura deles era desacato e que encaminharia o caso ao Ministério Público, para que o órgão avalie. 

Juiz adverte ativistas durante audiência e fala em desacato

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Rio (MP), Sininho e os outros ativistas são acusados de atos violentos nos protestos e de formação de quadrilha. Segundo o MP, eles teriam cometido crimes de associação criminosa, com pena maior por participação de menores, dano qualificado, resistência, lesões corporais, posse de artefatos explosivos e corrupção de menores.

Ativistas seguem foragidas

Participam da audiência 21 ativistas. As rés Elisa Quadros, conhecida como Sininho, e Karlayne Moraes da Silva Pinheiro, ao Moa, são consideradas foragidas. Elas tiveram a prisão preventiva decretada, em dezembro, depois de terem descumprido medida cautelar que as proibia de participar de protestos.

Outros três acusados que estão presos estão presentes na audiência. São eles Igor Mendes, que também teve a preventiva decretada por desobedecer medida imposta pela liberdade condicional, e Caio Silva de Souza e Fábio Raposo. Os dois últimos respondem outra ação criminal e são acusados de atingirem o cinegrafista Santiago Andrade com um rojão, durante uma manifestação. Santiago teve morte encefálica em fevereiro de 2014.