Lagoas da Zona Oeste abrigam 4 mil jacarés e aparições são mais frequentes

A estimativa foi feita pelo Instituto Jacaré, que realiza pesquisas e trabalha em prol da preservação desses animais

Por O Dia

Rio - Com aparições cada vez mais frequentes nas áreas urbanas, os jacarés já fazem parte do cenário das lagoas do Recreio dos Bandeirantes, da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá. A maioria dos moradores da região não imagina, mas os vizinhos répteis no Complexo Lagunar da Zona Oeste são cerca de 4 mil. A estimativa foi feita pelo Instituto Jacaré, que realiza pesquisas e trabalha em prol da preservação desses animais.

Segundo Camila Scalzer, bióloga e coordenadora da instituição, o que tem tornado mais comum o encontro dos répteis com os moradores da região não é o aumento da população de jacarés, mas sim o avanço dos grandes empreendimentos imobiliários na Zona Oeste nos últimos anos. Com isso, o habitat dos bichos foi reduzido e eles ficaram mais concentrados nas poucas áreas naturais, espremidos entre prédios, ruas e avenidas.

Aluno aprende a como capturar o réptil no curso promovido pelo Instituto Jacaré%2C que atua na pesquisa e preservação desses animais no RioDivulgação

Apesar do medo de muitos cariocas e do susto ao encontrá-los, Camila conta que os répteis normalmente não oferecem risco à população e, até hoje, não foi registrado caso de ataques na região. Entretanto, ela recomenda que não se deve tentar contato direto. “Apesar de ter a tendência a fugir com a aproximação de pessoas, jacarés são animais selvagens e pode ser que eles tenham uma reação diferente ao contato com humanos”, alerta.

Já para os jacarés, a proximidade dos humanos e da estrutura urbana representa alguns riscos. Em dezembro, um filhote foi atropelado ao atravessar a Avenida das Américas. Outro risco para os bichos é a interferência das pessoas no modo de vida natural, como dar comida aos répteis. “Eles não são bichos de estimação”, ressalta Camila.

A bióloga explica que, se as pessoas alimentarem esses animais de forma sistemática, eles podem perder a habilidade de buscar comida no ambiente selvagem, além de se tornarem vulneráveis à presença de possíveis predadores.

Para explicar à população como se relacionar de forma sustentável com esses animais, o Instituto Jacaré tem projetos de comunicação com as comunidades da região. Um deles é o “Jacaré vai à Escola”, que faz palestras em colégios e promove o contato das crianças com os bichos para desmistificar a imagem do animal e mostrar a importância da conservação. O instituto foi criado em 2006 para atuar na pesquisa e preservação principalmente do jacaré do papo-amarelo, presente na área.

Curso ensina como ‘pegar’ jacarés

Para preparar profissionais que trabalham em pesquisa ou em resgate de animais silvestres ou mesmo quem estiver interessado em um contato mais próximo com esses bichos, o Instituto Jacaré promove o “curso de captura, contenção, manipulação e manejo de jacarés”.

Ministrado por Ricardo Freitas Filho, doutor em biologia e especialista no assunto, o curso tem três edições anuais e ensina todo o processo de captura do animal, além de explicações sobre a fisiologia e o ecossistema dos jacarés. “Geralmente o aluno que busca o curso faz pesquisa na área ou presta consultoria no resgate de fauna, mas já tivemos até médicos em nossas turmas”, diz Camila, acrescentando que o curso não requer formação prévia.

Com turmas de 10 a 15 pessoas, o curso dura dois dias inteiros e tem conteúdo totalmente prático. “Já no segundo dia, o aluno pode localizar e capturar os jacarés, mas sempre com a nossa supervisão, é claro”, explicou Camila.

Reportagem de Flora Castro

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