Areia reprovada na Zona Sul

Arpoador, pontos de Copacabana, Botafogo e Praia do Pepê não são recomendados

Por thiago.antunes

Rio - Os banhistas que procuram nas praias cariocas um pouco de alívio para o calor de mais de 40 graus no Rio têm que ficar atentos não apenas ao índice de balneabilidade das águas, mas também à qualidade da areia. De acordo com o primeiro boletim de monitoramento das areias feito pela Secretaria Municipal de Ambiente em 2015, as praias mais queridinhas do verão não são recomendadas.

A praia do Arpoador, por exemplo, cartão postal da cidade e uma das mais lotadas em toda a estação está entre as reprovadas pelo índice de coliformes fecais detectados. Além dela, Copacabana, nos pontos próximos às ruas de Barão de Ipanema e Souza Lima, também não é recomendada. As praias de São Conrado, na altura do Hotel Nacional, e da Barra (Pepê e Ayrton Senna) também tiveram as areias reprovadas. Na Zona Norte, um dos poucos atrativos públicos do verão, o Piscinão de Ramos também entrou na lista suja.

Relatório da SMA explica que restos de comida e presença de animais são principais fontes de contaminação das praias do Rio de JaneiroJoão Laet / Agência O Dia

O informe da SMA explica que o principal problema para a contaminação das areias é a presença de cachorros e de restos de comida. Para isso, a secretaria diz que continua a campanha educacional “Rio, Praia Limpa”, além de solicitar maior atenção da Comlurb na limpeza dessas praias e da “ação enérgica” da Secretaria de Ordem Pública para impedir a presença de cachorros nas areias.

A dermatologista Marcela Studart, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explica que o maior risco para a saúde em areias contaminadas é uma doença chamada larva migrans, conhecida popularmente como bicho geográfico. “Ela é transmitida pela urina do cachorro que faz xixi na areia e a pessoa senta ou joga vôlei e pode pegar em qualquer região do corpo causando vermelhidão e muita coceira”, explicou Marcela.

Confira a qualidade das areiasArte%3A O Dia

A médica disse que as pessoas precisam ficar atentas também aos fungos que resultam em micoses. Segundo Marcela, a área da virilha é uma das mais atingidas. A especialista explica que as pessoas não dão atenção suficiente a pequenos cuidados como não sentar diretamente na areia ou colocar toalhas e cangas nas cadeiras alugadas. “A cadeira é um foco enorme de fungo, micose e até lesões de HPV”, explicou a médica. O ideal, segundo ela, é evitar essas praias.

O cuidado com as areias não é a primeira dor de cabeça desse verão. Em dezembro, o DIA revelou que um estudo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), da Fiocruz, apontava a existência de bactérias resistentes à maioria dos antibióticos disponíveis em um dos principais rios da cidade, o Carioca. Além disso, um dos locais contaminados fica próximo à Praia do Flamengo e é frequentado por banhistas e pessoas que gostam de pescar. A areia da praia do Flamengo, no entanto, é considerada regular.

Banhistas reclamam do lixo deixado

Sentado nas areias de Copacabana, o cearense Venâncio Alves, morador do Rio e frequentador assíduo do local, diz que a beleza das praias cariocas é diferenciada. Mas, ao saber do relatório que classificou dois pontos da praia como não recomendado pela má qualidade da areia, o estudante de 19 anos reclama do comportamento de alguns banhistas. “Eu já cheguei a encontrar ossos de frango aqui na praia”. Segundo ele, ações de conscientização deveriam ser mais frequentes nas praias e sugere campanhas em que as pessoas poderiam levar o lixo de volta e trocá-lo por algum brinde.

Venâncio conta ainda que não senta nas cadeiras alugadas sem sua canga estampada com os arcos da Lapa. “Eu tomo meus cuidados, já tive uma micose nas costas. Não sabia se era da água salgada ou do chuveirinho e agora vejo que pode ser até da areia”, analisa. Otimista, ele acredita que a situação pode melhorar. “Depende da nossa atitude mudar esse cenário.” A também estudante Giovana Aires, de 18 anos, também reclama da sujeira jogada por banhistas. “Já encontrei nas areias preservativos, absorventes e pacote de biscoito”, relata.

Colaborou Daiene Mendes

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