Polícia realiza operação no Morro do Juramento, na Zona Norte da cidade

Após guerra no fim de semana, Bope e policiais do 41º BPM circulam pela comunidade

Por O Dia

Rio - Policiais do 41º BPM (Irajá) e do Batalhão de Operações Especiais (Bope) realizam operação no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, Zona Norte do Rio, na manhã desta segunda-feira. A ação ocorre após a guerra registrada no último fim de semana que levou pânico aos moradores da região. Ainda não há registro de prisões ou apreensões.

Na Zona Sul, tudo tranquilo. Na Norte, tiros e muito medo

No domingo, a comunidade registrou, pelo terceiro dia consecutivo, intenso tiroteio entre traficantes rivais. O confronto na favela, que é dominada pelo Comando Vermelho (CV), aconteceu em plena luz do dia. Segundo moradores, o tiroteio começou no início da manhã e terminou por volta das 16h. A estação do metrô de Tomás Coelho ficou fechada entre 13h16 e 15h49 para embarque, e os passageiros que desciam na estação eram orientados a esperar em seu interior. O ataque teria sido liderado por Celso Pinheiro Pimenta, o Playboy, chefe do tráfico na Pedreira, em Costa Barros, dominado pela Amigos dos Amigos (ADA).

O comércio na Rua Silva Vale, uma das principais da região, ficou fechado, e os tiros podiam ser ouvidos a longa distância. Pelo WhatsApp do DIA (98762-8248) moradores relataram o clima de pavor. “Extremamente tenso. Não podemos sair de casa. Em pleno dia de sol”, escreveu um morador. “As facções ficam se digladiando, e nós moradores que acabamos nessa situação”, reclamou outro. “Tiroteio constante no Morro do Juramento desde as 5h da manhã. Até o momento com muitas granadas, armamento pesado e muitas famílias desesperadas”, denunciou outro morador.

Alguns pedestres, assustados, corriam pela Avenida Pastor Martin Luther King para se proteger de tiros. Um deles permaneceu três horas parado com seu carro num posto de gasolina, com medo de ir para casa. Ao telefone com a família, ele monitorou a situação da área e só deixou o local quando os tiros cessaram.

“Era meio-dia quando recebi o telefonema falando do tiroteio. Não dá para atravessar. É muito tiro, mas minha família está em casa, em segurança. Esse confronto em plena luz do dia é um absurdo. Eu estava trabalhando e não posso nem chegar em casa”.

Equipe do DIA flagrou homens armados circulando no Juramento no sábado%2C durante operação do Bope. Clima na comunidade segue tensoFoto%3A Severino Silva / Agência O Dia

Outro morador fez um apelo. “Precisamos de uma UPP. Não aguentamos mais essa violência”, reclamou. “Vi os criminosos na mata armados e carregando mochilas”, relatou outro, que usava um binóculo. “Vocês podem chamar a Marinha e o Exército porque a polícia não tá nem aí”. No sábado, a PM fez operação na região e disse que ontem fez buscas em áreas de mata do Juramento. Durante o confronto deste domingo, havia poucos policiais no entorno da favela. Motoristas que passavam de carro eram revistados.

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