Por thiago.antunes

Rio - Menos de 24 horas depois que uma bala perdida atingiu a cabeça e matou uma menina de 4 anos, e outra feriu de raspão um rapaz de 33 anos, em Bangu, na Zona Oeste, mais uma criança foi vítima de projétil sem direção. Asafe Willian Costa Ibraim, 9 anos, estava com parentes na piscina do Sesi, em Honório Gurgel, quando foi alvejado no olho direito. Ele está internado em estado grave. Larissa de Carvalho será enterrada nesta terça-feira no Cemitério de Paciência.

Asafe ia a um bebedouro do dentro do clube quando caiu baleado. Ele foi levado para o Centro de Tratamento Intensivo do Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. De acordo com Diná Costa de Paula Ibraim, 38, mãe de Asafe, assim que o filho saiu da piscina para beber água no playground, rajadas de tiros foram ouvidas. O Sesi fica entre os complexos do Chapadão e da Pedreira, principais redutos das facções criminosas Amigos dos Amigos (ADA) e Comando Vermelho (CV), que estão em guerra .

Asafe e Larissa foram vítimas da violência em momentos de lazer com as famílias. O garoto está em estado grave e a menina será enterrada nesta terçaArte%3A O Dia

“Chegamos a ouvir barulhos de tiros. Mas quando vi o meu filho caído, achei que ele tivesse levado um tombo e batido com a cabeça, que sangrava no chão. Não acreditei que ele tivesse sido baleado”, lamentou Diná.

A mãe contou que na hora do tiroteio, houve pânico e correria entre os frequentadores do Sesi, que estava lotado. “Todos correram desesperados para a portaria e vi meu filho caído. Foi desesperador. Agora os médicos disseram que tem que esperar três dias por uma reação dele, que está sedado. A bala ficou alojada no crânio. Ele não pode morrer, pois é uma criança saudável, bonita e inteligente”, desabafou Diná, garantindo que não houve socorro imediato por parte de funcionários do clube e que o Samu não atendeu aos pedidos de socorro.

Em nota, a Polícia Civil informou que a 31ª DP (Ricardo de Albuquerque) vai ouvir testemunhas e tentar pistas dos atiradores através de câmeras de segurança do local. A Polícia Militar afirmou que não havia operação naquela hora. Também através de nota, o Sesi negou que tenha havido falta de assistência ao menino, levado inicialmente, num carro da família, para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha.

“Dois profissionais do Sesi (salva-vidas) prestaram os primeiros socorros, enquanto foi solicitado o atendimento de uma ambulância. O Sesi continua à disposição para qualquer necessidade”, diz o texto.
Em Bangu, na Zona Oeste, Carlos Eduardo de Paula foi baleado quando lanchava numa praça da Vila Aliança, na madrugada de sábado. A vítima foi atendida no Hospital Estadual Albert Schweitzer e passa bem.

Mileni%2C mãe de Larissa passou malAlexandre Vieira / Agência O Dia

Mãe quer saber quem receberá órgãos

“Quero conhecer as crianças que vão receber os olhos e o coração da minha filha. Doar é poder manter a Larissa viva no corpo de outras pessoas”. Essa é a esperança de Mileni de Carvalho, mãe da menina Larissa, 4, que teve morte cerebral decretada na manhã de domingo, após ser atingida por uma bala perdida, em Bangu. Entretanto, o sigilo do nome dos pacientes, previsto na legislação, pode impedir o encontro com as crianças que vão receber as córneas e o coração da criança.

“Minha irmã não para de falar nisso. E toda hora, fala o nome da filha e olha a foto dela. As duas mantinham um amor lindo, e a Mileni quer ver os órgãos da filha ajudando outra criança”, lembrou a tia de Larissa, Michele de Carvalho Pereira, 35. A menina será enterrada nesta terça, às 10h, no Cemitério Jardim da Saudade, em Paciência.

Cruz para criticar as mortes de crianças

Nesta terça, o Movimento Rio de Paz promoveu um ato público nas areias de Copacabana, Zona Sul. Larissa seria a 13ª menor de idade vítima de bala perdida no Rio, desde 2007. Uma cruz preta de três metros de altura foi fincada na orla em alusão à morte da menina.

Padrasto da criança, o metalúrgico Wellington do Nascimento Borges Lopes, 29 anos, informou que ele e mais nove pessoas lanchavam num restaurante na Estrada Rio da Prata, e, ao deixarem o local, ouviu um barulho. “Pensei que era alguma moto, mas quando olhei, vi a Larissa, que estava de mãos dadas com a Mileni, com as pernas dobradas e a cabeça sangrando”.

Perto do restaurante há três comunidades: Santo André, Bicho Solto e Quarenta e Oito. As investigações estão a cargo da Divisão de Homicídios da Capital (DH).

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