Crianças afogadas em Petrópolis já eram acompanhadas pelo Conselho Tutelar

As três vítimas, de 5, 6 e 11 anos, mergulharam em uma piscina de um casarão no bairro de Castelana, no município da Serra

Por O Dia

Cerca de 200 pessoas estiveram presentes no enterro das crianças que morreram afogadas em piscinaCarlos Moraes / Agência O Dia

Rio - A Polícia Civil investiga se houve omissão dos pais das três crianças mortas por afogamento após caírem na piscina de uma casa em Petrópolis, na Região Serrana, na noite desta terça-feira.

De acordo com o delegado da 105ª DP (Petrópolis) Alexandre Ziehe, a família já vinha sendo acompanhada há cerca de um ano pelo Conselho Tutelar. As primeiras solicitações teriam sido feitas pela diretora da escola em que Miguel, Raíssa e Matheus Henrique da Silva — de 5, 6 e 11 anos, respectivamente — estudavam. As dificuldades de relacionamento com os colegas e um suposto “abandono” teriam sido relatados, de acordo com o policial.

Nesta quarta-feira, durante o velório dos irmãos, a tia deles, Heloísa Chagas, confirmou que os cinco filhos do casal permaneciam sozinhas em casa enquanto os pais trabalhavam. “O pai (José Ricardo Alexandre) estava trabalhando próximo da casa. A mãe (Érica Lopes Alexandre) realizava faxina em uma casa perto, naquele momento. Mas assim que voltaram e ‘deram falta’ dos filhos, iniciaram as buscas”, relatou. Os mais novos estariam sob as vistas da irmã mais velha, de 15 anos.

Outro tio das crianças, Alessandro Lopes, apresentou uma nova versão para os óbitos, que teria sido relatada pelo irmão das crianças, de 12 anos, único que estava no local e sobreviveu. “Ele disse que entrou na residência com os três irmãos para buscar uma pipa. Próxima à piscina, Raíssa caiu na água. Matheus, então, pulou na piscina para salvá-la, mesmo sem saber nadar. Miguel, o irmão mais novo, também pulou na piscina ao ver a situação”, contou.

A mãe das crianças foi consolada durante o enterro nesta quarta-feira em PetrópolisCarlos Moraes / Agência O Dia

O delegado, por sua vez, disse não acreditar na versão do menino. “Ao que tudo indica, eles foram ao local para tomar um banho de piscina às escondidas, não sabiam da profundidade (2,75 metros). Para conseguir mergulhar, as crianças tiveram que passar por uma grade colocada em volta da borda. Não localizamos a tal pipa e, mesmo que a encontrássemos, neste momento nos concentramos na conduta dos pais”, explicou. 

Caso o indiciamento seja confirmado, os responsáveis podem perder a guarda dos outros dois filhos. O depoimento dos irmãos deverá acontecer nos próximos dias na delegacia. 

Irmãos morrem afogados em piscina de casarão em Petrópolis

Irmão teria tentado salvar as crianças

De acordo com o delegado, as crianças — moradoras da comunidade do Servidão — teriam acessado a propriedade particular, no bairro Castelânia, por meio de uma trilha na mata fechada. “Os proprietários são idosos e estavam dormindo. Não perceberam a movimentação”. Segundo ele, que, a princípio, inocentou os donos da casa de responsabilidade, vizinhos contaram que, na semana passada, os menores foram vistos se refrescando em uma caixa d’água.

Segundo a Polícia Civil, a piscina do casarão onde os irmãos morreram afogados tem 2,75 metros de profundidadeDivulgação

O irmão de 12 anos também foi ao local mas teria desistido de mergulhar ao ver a profundidade. O menor então buscou socorro e voltou, 15 minutos depois, com o pai e a irmã de 15, mas já estavam todos mortos. “Ele chegou a pegar um galho na tentativa de resgatar os irmãos”, contou o delegado.

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