Abaixo-assinado quer preservação de mensagem que pede doação de sangue

Frase foi escrita em muro de Laranjeiras por jovem já falecida. Mais de 22 mil participantes pedem a sua manutenção

Por O Dia

Roi - Na esquina das ruas das Laranjeiras e Alice, Zona Sul do Rio, a mensagem em um muro pode passar despercebida aos olhares mais apressados. Retrata a importância da doação de sangue. O grafite, no entanto, já mobilizou milhares de pessoas na Internet. Com mais de 22 mil assinaturas, um abaixo-assinado que será encaminhado à prefeitura foi criado para que a pintura seja preservada. Um dos motivos da mobilização é homenagear a autora do painel, já falecida, e afastar o risco de que seja coberto por novas pinturas.

A ideia, que sensibilizou não só moradores de Laranjeiras vizinhos à pintura, como de vários estados do Brasil, partiu de familiares de Diana Rosa, 27 anos, que era do bairro. Após perder um amigo, que sofreu com a falta de sangue em 2012, Diana decidiu alertar a população, através da arte, sobre problema tão recorrente. No muro, a frase “Keep Calm and Doe Sangue” está cercada por árvores coloridas. Aquela foi a sua última obra.

Muro foi pintado por Diana Rosa depois que um amigo morreu%2C em 2012%2C por falta de sangue para doaçãoJoão Laet / Agência O Dia

“Ela e a irmã conseguiram juntar amigos e pintar a mensagem, que tem endereços de locais de doação. Mas morreu 17 dias depois, por mal súbito”, enfatiza Regina Gonçalvez, mãe de Diana. “Quando soubemos que algumas pessoas de um grupo de Carnaval, o GB Bloco, pretendiam pintar algo em cima, decidimos iniciar a campanha para sensibilizar a Prefeitura a interceder por aquele espaço. Afinal, a mensagem é um legado para todos nós.”

Segundo amigos e parentes, a garota, que estudava Ciências da Computação e era apaixonada por arte, queria expandir o tema por toda cidade. Antes de concluir o trabalho, havia pintado um painel semelhante no Jardim Botânico.

Decreto libera arte em muros que não são tombados

Um dos diretores do bloco, Arnaldo Bi Blasi negou que a ideia de cobrir a pintura esteja sendo cogitada. Porém, antiga imagem do grupo foi encoberta pela pintura de Diana. “Eles apagaram antes, sem nos avisar”, lamentou. “”Somos muito antigso no bairro, mas não há nenhum estresse”, garantiu.

Por ser local particular, a Prefeitura não tem ingerência sobre o que é feito no espaço. Segundo decreto de fevereiro de 2014, a arte está liberada em “postes, colunas, muros (desde que estes não sejam patrimônio histórico), paredes cegas, pistas de skate e também tapumes de obras”.

Por outro lado, fica proibido fazer grafite em viadutos e fachadas de imóveis públicos e/ou tombados onde tenha sido aplicada tinta anti-pichação reparadora. Mas tudo deve ser feito com permissão.

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