Rio é o estado que mais consome água no Brasil

Estado é o 7º em investimento na rede de água. Especialistas dizem que faltaram gestão e planejamento a longo prazo

Por O Dia

Rio - Entender como a situação dos reservatórios de água do Rio chegou ao atual quadro crítico não é tarefa fácil. Pesquisadores de recursos hídricos e mudanças climáticas da Coppe/UFRJ listam diferentes razões para que o estado esteja agora utilizando a reserva chamada de volume morto. Entre os motivos, está uma escassez de chuvas única na história da bacia do Rio Paraibuna. Mas, além disso, a falta de atenção ao tratamento de esgoto de toda a região, o desperdício do sistema de distribuição e o excesso de consumo de água também são fatores determinantes para o panorama preocupante.

O Atlas do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Snis) 2013 divulgado essa semana trouxe dados preocupantes sobre o consumo de água no estado. São 253,1 litros por habitante por dia — valor 24,1% acima da média do Sudeste e 52,2% a mais do que a média nacional. Em contrapartida, o mesmo relatório mostra que na comparação com outros estados, o Rio é apenas o sétimo em investimentos no setor.

Níveis de água nos reservatórios do estado%2C como o do Funil (acima)%2C estão muito baixos devido à estiagemErnesto Carriço / Agência O Dia

Para o pesquisador do Laboratório de Hidrologia da Coppe/UFRJ Paulo Carneiro, a bacia está muito suscetível a eventos extremos, sejam seca ou transbordamentos devido à baixa cobertura vegetal. “Ela amortece menos a quantidade de chuva, tanto no aumento quando na baixa dos rios”, explica Carneiro, ao lembrar dos desmatamentos que ocorreram ao longo da história de desenvolvimento econômico da região.

Segundo ele, não há dúvida de que não se pode culpar apenas a chuva. “Falta gestão de recursos hídricos, investimentos para lidar com esses problemas e planejamento de longo prazo”, afirma. Carneiro cita que, nos próximos meses, é preciso repensar a necessidade da distribuição de água para os diferentes consumidores da bacia, como as indústrias, a irrigação para agricultores e a quantidade de consumo humano.

O professor Marcos Freitas, coordenador do Instituto de Mudanças Globais da Coppe, critica ainda o baixo tratamento de esgoto. “O sistema está acostumado a usar água em quantidade razoável para diluir esgoto de rios que chegam ao Guandu”, diz.Segundo Freitas, uma obra para tratar o Rio dos Poços amenizaria a questão. Outro grave problema é a quantidade das perdas na distribuição. “É um valor que chega em torno de 50%”, observa ele, ao ressaltar que só entre 10% e 12% seriam dos chamados gatos.

Crise hídrica, um problema anunciado

O deputado Carlos Minc, ex-secretário do Ambiente, afirmou que, desde 2009, no governo anterior, a administração do estado sabia dos riscos da crise hídrica. Segundo Minc, relatórios da Coppe/UFRJ e Fiocruz apontavam para vulnerabilidades dos sistemas que abastecem as bacias usadas na captação de água pela Cedae.

Nos estudos, disse ele, há desde o desmatamento de 80% das florestas, onde estão as fontes e olhos d’água e do assoreamento dos rios, até o desperdício da água tratada. “Não pode ser considerado normal que 40% da água tratada vão embora.”

O presidente da Cedae, Jorge Briard, disse que a alta de consumo ocorre devido à Região Metropolitana ser a mais quente do país. A expectativa dos especialistas é de que no próximo verão a situação comece a ser normalizada, se as chuvas voltarem ao índice usual.

O prefeito Eduardo Paes declarou ontem, após reunião com o secretariado, que pediu à Secretaria da Casa Civil que converse com o governo do estado sobre o real cenário hídrico e energético da região: “Queremos ter um pouco mais de noção”. Sobre a possibilidade de racionamento ou redução de consumo de água e luz nos órgãos públicos, Paes comentou que o município já faz isso: “A gente trata custo na prefeitura igual a unha, corta o tempo todo.”

?Colaboraram: Alessandra Horto, Constança Rezende e Nonato Viegas

VEJA SE VOCÊ ECONOMIZA OU GASTA MUITA ÁGUA:

1.Você lava o carro com:
(a) uma mangueira
(b) um balde

2. Limpa a calçada com:
(a) uma vassoura
(b) um esguicho

3. Rega as plantas com:
(a) um balde ou regador, nas horas frescas do dia
(b) uma mangueira, sempre que estão murchas

4. Usando as torneiras:
(a) deixa a água escorrendo o tempo todo
(b) fecha a torneira enquanto não está usando a água

5. Lavando a roupa:
(a) deixa a roupa suja acumular, para depois lavar
(b) lava aos poucos, sempre que há uma peça

6. Usando o vaso sanitário:
(a) não usa o vaso como lixeira
(b) joga toda sujeira que pode no vaso

7. Na hora do banho:
(a) deixa o chuveiro ligado todo tempo
(b) enquanto se ensaboa, fecha o chuveiro

8. Em caso de vazamento:
(a) espera problema se agravar para chamar o encanador
(b) chama o encanador imediatamente

9. Quando vê um
vazamento na rua, você:
(a) não faz nada, pois não tem nada a ver com isso
(b) avisa a companhia de saneamento de sua cidade

10. Quando vê alguém desperdiçando água, você:
(a) não liga, pois isto não lhe diz respeito
(b) conversa com a pessoa, tentando lhe mostrar a importância de economizar


CONTE SEUS PONTOS E CONFIRA O RESULTADO:
1- (a) 0 (b) 1
2- (a) 1 (b) 0
3- (a) 1 (b) 0
4- (a) 0 (b) 1
5- (a) 1 (b) 0
6- (a) 1 (b) 0
7- (a) 0 (b) 1
8- (a) 0 (b) 1
9- (a) 0 (b) 1
10- (a) 0 (b) 1

De 8 a 10 pontos: Parabéns! Continue cuidando da água e ensine às outras pessoas como fazer.

De 6 a 7 pontos: Você está no caminho certo. Tente preservar um pouquinho mais a água antes de abrir a torneira à toa.

De 3 a 5 pontos: Você já está fazendo alguma coisa pela água, mas falta muito. Comece hoje mesmo a mudar suas atitudes.

De 0 a 2 pontos: Você está usando água de forma abusiva e com desperdício. Comece hoje mesmo a cuidar da água, para que ela não falte no futuro.

Fonte: Embrapa

Últimas de Rio De Janeiro