Crise da água atinge desfiles de escolas na Sapucaí

União da Ilha substituirá 3,5 mil litros de alegoria e Viradouro vai repensar abre-alas que traria 60 mil litros

Por O Dia

Rio - As consequências do racionamento de água no Estado do Rio já chegaram aos barracões das escolas de samba e vão alterar os desfiles do Carnaval deste ano. Para economizar, agremiações resolveram mudar as alegorias que viriam com o precioso líquido.

Com o enredo ‘Beleza Pura’ — uma sátira à obsessão das pessoas em não querer envelhecer — a União da Ilha resolveu abrir mão da fonte da juventude que seria retratada no último carro alegórico do desfile. Em vez dos 3,5 mil litros de água, serão usadas luz e fumaça, segundo o presidente da escola, Ney Filardi. Ele conta que a substituição pelos efeitos especiais gerou gastos extras para a agremiação, que ainda serão calculados, quando a mudança for concluída. A União da Ilha irá desfilar com sete carros este ano.

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Já foi tempo em que as escolas esbanjavam água para produzir cenários%2C como a Unidos da Tijuca%2C ano passado%2C no carro dos troféus de SennaFernando Souza / Agência O Dia

“Não faz sentido usarmos um carro com tanta água e a população sofrendo com essa crise hídrica. Faríamos uma dança das águas, com a água jorrando, mas achamos melhor mudar todo o conceito do carro”, ponderou.

Segundo Ney, a quadra da escola, na Ilha do Governador, conta, desde 2014, com sistema de captação de chuva, que é usada na limpeza do local. “Fizemos um reservatório grande e um tubo de PVC que coleta a água. Não pode haver desperdício. Estamos engajados para economizar”, garante.

De volta ao Grupo Especial, depois de quatro anos na Série A, a Unidos do Viradouro vai avaliar se mantém o carro abre-alas, com 50 metros de extensão, que virá com 60 mil litros de água. Segundo a assessoria de imprensa da agremiação, esta semana, o presidente, Gusttavo Clarão, e o carnavalesco, João Vitor Araújo, vão se reunir para avaliar o caso. O enredo deste ano da Vermelha e Branca de Niterói é ‘Nas veias do Brasil, é a Viradouro em um dia de graça!’, que abordará os negros. O carro abre-alas tratará a África e seu reinado.

Escolas como Beija-Flor, Salgueiro, Vila Isabel e Unidos da Tijuca informaram, por meio de assessoria de imprensa, que não planejam alegorias que usem água.

Diretoria do Escravos da Mauá vai manter a prática de refrescar os foliões%2C que adotou há quatro anosSeverino Silva / Arquivo / Agência O Dia

A Comlurb acrescentou que já adota medidas sustentáveis no Carnaval. De acordo com a assessoria, a limpeza da Marquês de Sapucaí é feita com água de reúso, proveniente do esgoto tratado, porém imprópria para consumo humano.

O racionamento não ficará restrito ao Sambódromo. O bloco Imprensa que Eu Gamo, que sairá no próximo sábado, em Laranjeiras, suspendeu a mangueira que refresca os foliões. Já o Escravos da Mauá, manteve o carro-pipa. De acordo com a organizadora do bloco, Cristina Lemos, há quatro anos, os jatos de água aliviam o calor, e este ano não poderia ser diferente. O bloco desfila no dia 8 de fevereiro e tem concentração no Largo de São Francisco da Prainha, no bairro da Saúde.

“Este ano, com esse calorão, precisamos ter água no bloco. Estamos preocupados com as altas temperaturas, disse, acrescentando que o carro pipa custa cerca de R$ 1,5mil e é custeado pelos próprios blocos. O Bloco do Barbas, que sairá no sábado de Carnaval, também manterá o tradicional banho de carro-pipa.

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