Marina Silva: 'Não se pode fazer um discurso para ganhar, e outro para governar'

Ao criticar o governo Dilma Rousseff, ex-candidata defende racionamento de água e energia

Por O Dia

Rio - Terceira colocada nas eleições presidenciais do ano passado, Marina Silva reapareceu nesta segunda-feira no Rio e criticou o atual governo, mas evitou censurar diretamente a presidenta reeleita Dilma Rousseff (PT). Em evento de coleta de assinaturas para a fundação da Rede Sustentabilidade, partido que tenta criar, a ex-candidata disse que “não se pode fazer um discurso para ganhar, e outro para governar”.

Depois, ao ser perguntada sobre o segundo mandato da presidenta Dilma, não respondeu. “Meu posicionamento sobre este tema está nas redes sociais. Vocês podem acompanhar lá”. Em quase 30 minutos de discurso aos militantes da Rede, ela fez um balanço da campanha, defendeu-se de ataques e se emocionou ao lembrar de Eduardo Campos, presidenciável do PSB morto em agosto, de quem assumiu a vaga. “Como sorrir ao virar candidata após uma morte tão precoce?”, lembrou, emocionada.

Marina recebeu documento com 10%2C5 mil assinaturas recolhidas no Estado do Rio para a criação da RedeJoão Laet / Agência O Dia

Ao analisar o momento do país, foi contundente nas críticas, mas não responsabilizou ninguém. Segundo ela, o Brasil vive uma “crise econômica gravíssima, que precisa ser enfrentada sem o mundo cor de rosa do marketing eleitoral”, e um “grave problema ambiental que vai piorar cada vez mais”.

Nesse caso, a ex-candidata argumentou que era necessário o racionamento de água e energia. “Teria que racionar antes, mas não se podia dizer isso, pois era período eleitoral. A solução seria planejamento e diversificação da matriz energética. A população tinha o direito de saber o tamanho da crise”.

De acordo com os porta-vozes da Rede, ontem foram entregues 10.500 assinaturas só do Estado do Rio. A expectativa é de que até março o partido reúna 100 mil assinaturas em todo o Brasil, para entrar com novo pedido de registro no Tribunal Superior Eleitoral. Em 2013, o pedido foi indeferido.

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