'O apoio do Romário seria um sonho para qualquer candidato', diz Pedro Paulo

Eduardo Paes já lançou deputado federal como seu candidato à sucessão em 2016

Por O Dia

Rio - O futuro do deputado federal Pedro Paulo Carvalho (PMDB) já está traçado para quando ele voltar de Brasília, onde será empossado na Câmara neste domingo. Ainda este mês, ocupará de vez a Secretaria Executiva de Governo, com gabinete no mesmo andar do prefeito Eduardo Paes, que já o lançou como seu candidato à sucessão em 2016.

E para tentar ganhar a simpatia de seu principal adversário dentro do PMDB, Pedro Paulo garantiu que irá votar, daqui a dez dias, em Leonardo Picciani para liderar a bancada no PMDB na Câmara. Em entrevista ao DIA, Pedro Paulo aposta que o partido vai unido para as eleições do ano que vem e não esconde o desejo de ter o senador Romário (PSB) a seu lado. Ao elogiar a preparação para as Olimpíadas, ele afirmou que o orçamento do município também passará por ajustes.

'O apoio do Romário seria um sonho para qualquer candidato'Estefan Radovicz / Agência O Dia

O DIA: O senhor ficará pouco tempo como deputado, e logo voltará a ser o secretário executivo do governo do prefeito Eduardo Paes. O trabalho já será uma pavimentação da sua candidatura à prefeitura em 2016?

Pedro Paulo: Eleição só é assunto no ano de eleição. 2015 é ano de trabalhar. O PMDB é um partido que sabe ganhar eleições e, na hora certa, vai discutir o nome.

Mas o prefeito já lançou sua candidatura. E o deputado federal Leonardo Picciani não esconde de ninguém que também quer ser candidato. Vai ter disputa?

Não tem disputa dentro do PMDB. Desde que o Sérgio Cabral ganhou em 2006, até hoje, não houve nenhum conflito. O candidato vai ser o que o partido escolher, liderado pelo presidente estadual Jorge Picciani, que é o maior quadro partidário do Brasil. Existem pessoas que aspiram, como o deputado Leonardo Picciani, em quem votarei para liderar o PMDB na Câmara. Nosso partido é vocacionado para o poder; não vai ter briga e chegaremos unidos.

O senador Romário já disse que abre mão de ser candidato para apoiá-lo.

Ele foi um grande deputado, surpreendendo muita gente, e se tornou senador com votação recorde. Fico feliz e envaidecido com os elogios que ele fez à administração do Eduardo Paes. O apoio dele seria um sonho para qualquer candidato.

'Aprendi com um executivo que custo é igual a unha%3A tem que aparar sempre'Estefan Radovicz / Agência O Dia

Diz-se que o nome capaz de evitar qualquer disputa no partido é o do ex-governador Sérgio Cabral.

Cabral é o camisa 10 do PMDB, joga onde quiser. Ele lidera todos nós e é nossa inspiração, pois foi a partir dele que começamos a transformar o Rio. Com ele, não tem discussão.

Nas eleições, o PMDB do Rio ficou dividido, com parte apoiando Aécio Neves e parte com Dilma Rousseff. Ficou alguma rusga?

Não houve nenhum mal entendido. O partido tem suas correntes, e essa eleição foi difícil. O Picciani respeitou a nossa decisão de apoiar a Dilma.

As nomeações para o secretariado ajudaram a acalmar os ânimos? O Rafael Picciani virou secretáriomunicipal de Transportes; o Marco Antonio Cabral foi para os Esportes no estado; e o enteado do Pezão ganhou uma subprefeitura.

O governo precisa estar permanentemente respirando. As mudanças políticas e técnicas foram importantes,e só prova que nós sabemos ganhar eleição, e governar mesclando quadros técnicos e políticos. É uma arte.

Lá atrás, a disputa que se desenhava para suceder Paes era entre o senhor e o ex-secretário Rodrigo Bethlem. Ele ainda tem futuro na política? (Em 2014, reportagens colocaram Bethlem sob suspeita de ter recebido propina para celebrar contratos com a prefeitura)

O caso do ex-deputado Bethlem se esgotou na prefeitura e na política. O cuidado de toda administração deve ser permanente. A prefeitura faz auditorias e tem controladoria que funciona.

Só que deixou passar os contratos que colocaram Bethlem sob suspeita.

Não dá para enxergar tudo. Motivado por uma denúncia, dá para investigar, aprofundar. Não vamos ter um futuro perfeito, com zero caso de corrupção, mas temos que estar desprendidos de qualquer constrangimento para investigar.

Qual é a diferença entre essa nova secretaria que o Paes criou para o senhor, e a da Casa Civil, que o senhor também ocupou?

Há menos burocracia do que na Casa Civil. A secretaria só tem cinco pessoas, não tem orçamento e é livre para entrar em alguns temas. Vou poder opinar em tudo.

No que, por exemplo?

Vamos propor discussões com a educação. Será que a escola, do jeito que é, pode mudar nossas crianças? Na saúde, avaliaremos se a expansão das clínicas da família está sendo feita com qualidade. Mais do que um supersecretário, quero ser um supersubprefeito, com a sensibilidade da rua.

'O PMDB é vocacionado para o poder%3B não vai ter briga e chegaremos unidos'Estefan Radovicz / Agência O Dia

Em 2012, quando o Paes foi reeleito, a cidade vivia um outro clima. Agora há falta água, a falta de energia ameaça, violência galopante, ônibus mais caro. De alguma forma isso atinge a prefeitura?

Não tem jeito, a prefeitura é o ente da federação mais próximo das pessoas. Essa crítica nos estimula, e a cobrança não nos preocupa.No caso da água, podemos ser parceiros do governo do estado. Se o Pezão quiser fazer a individualização dos hidrômetros, por exemplo, nós podemos fazer.

O carioca já entendeu o porquê de a passagem de ônibus ter aumentado R$ 0,40?

Se você pergunta para uma pessoa por que aumentou, não vai ter ninguém que se diga satisfeito. Mas a cidade do Rio mostra de forma transparente qual é a fórmula do cálculo. Não estamos satisfeitos com os ônibus, e estamos em contato com a RioÔnibus para um serviço cada vez melhor.

Mesmo sem a exigência do ar-condicionado para toda frota até 2016?

Há um escalonamento. 40% de toda a frota do Rio terão ar neste ano. E não diferenciamos mais os preços de ônibus com e sem ar.

O “Não Vai Ter Copa” pode se repetir nas Olimpíadas?

São eventos diferentes. A Copa teve pecados capitais, e perdemos oportunidade de mostrar ao mundo que podemos entregar obras no prazo, pelos preços contratados. As Olimpíadas não têm esse problema. O prefeito tem trabalhado para manter a agenda em dia, e o Rio vai deixar de ser só a cidade maravilhosa para ser profissional, e entregar os compromissos que assume.

A Baía de Guanabara não será despoluída, e isso era compromisso.

Não vai estar despoluída, mas vai ser possível sediar os esportes.São 15 cidades que jogam esgoto ali todos os dias.

Dilma e Pezão já falaram diversas vezes que o ano será de contenção de gastos. E na prefeitura?

Aprendi com um executivo que custo é igual a unha: tem que aparar sempre. O prefeito já nos apresentou o cenário e todas as áreas, tirando saúde, educação e as obras para as Olimpíadas, sofrerão ajustes.

Últimas de Rio De Janeiro