Polícia diz que fará operações em região de condomínio invadido por traficantes

Conjunto fica próximo aos edifícios do Minha Casa Minha Vida invadidos em novembro. Polícia desconfia que bandidos sejam da favela Gogó da Ema

Por O Dia

Rio - Após moradores terem denunciado que traficantes invadiram um condomínio próximo à Praça Tibiriçá, em Guadalupe, e fazem o local de ponto de venda de drogas desde a última quinta-feira, o comando do 41º BPM (Irajá) vai iniciar operações de inteligência na região a partir desta semana. O conjunto fica próximo aos edifícios do Minha Casa Minha Vida invadidos em novembro.

A polícia desconfia que os bandidos sejam da favela Gogó da Ema, que fica em frente ao loteamento invadido, com mais de 500 casas. Os moradores dizem que estão sendo coagidos e cobram reforço do patrulhamento à noite.

Moradores relatam invasão em condomínio de Guadalupe

“Com a possível criação de uma UPP, eles estão descendo e tomando o condomínio. Geralmente colocam menores na linha de frente, que são apreendidos, mas retornam depois. Vamos tentar interceptar quem está por trás desses menores para evitar uma boca de fumo ali”, disse o subcomandante Mattos.

Neste domingo, uma moradora usou a página Guadalupe News, do Facebook, para desabafar. "Lamentável, mas esse, infelizmente, é o bairro em que vivemos. Sou moradora da Rua Domingos Pereira Rabelo, pra quem não sabe, a rua que tem sentido o Gogó, logo depois do supermercado Unidos, a primeira à esquerda e com uma cancela. Novo ponto de encontro dos bandidos, moradores nesse exato momento acostumados a subir e descer de carro ou a pé estão se assustando com a situação. Estão nos obrigando a ligar o farol interno, ligar o pisca-alerta, ficam gritando palavrões. Foi uma surpresa, pois até ontem estava tudo tranquilo", postou.

Viatura faz segurança de moradores em acesso de condomínio na Zona NorteDivulgação / Polícia Militar

Outra moradora relatou assaltos diários no WhatsApp do DIA (98762-8248). "Sou moradora de Guadalupe e quero pedir ajuda para essa região que está abandonada pelas autoridade. Moro aqui desde dezembro e fui assaltada e meu esposo também. Ontem, na rua onde moro, três carros foram levados, um, inclusive, de dentro da oficina. Os bandidos todo dia fazem a limpa aqui por perto. Estamos desesperados e vivendo à mercê de bandidos que assaltam moradores e comércios. As ruas são Nova Trento, Matricaria e Homero Prates", reclamou.

Durante todo o sábado, o WhatsApp do jornal O DIA recebeu diversas denúncias de moradores da região, que reclamavam da invasão de traficantes na área do condomínio. "Mais de 15 traficantes ocuparam a Praça Tibiriçá, que fica no final da Rua José Carlos Braga da Costa. Os moradores pedem socorro, são vários homens armados dentro da área do condomínio", escreveu um deles.

Segundo o mesmo morador, os bandidos, que estão armados com pistolas e fuzis, fizeram da praça um ponto de venda de drogas. "Eles ficam intimidando os moradores. Obrigam a gente a piscar o farol para subirmos a rua de carro, abrir o vidro se for escuro, acender a luz interna. Aqui não é favela, é um loteamento de casas antigas que nunca teve isso. O nosso medo é a polícia entrar e ficarmos reféns dos caras, no meio de um fogo cruzado", reclamou.

Como O DIA noticiou neste domingo, a guerra entre traficantes dos morros da Pedreira (em Costa Barros), Chapadão (na Pavuna) e Juramento e Juramentinho (em Vicente de Carvalho) mudou a vida de moradores desses e de outros bairros vizinhos. Afinal, bandidos estão tomando as casas de trabalhadores que moram na região e dificultando a chegada dos diversos serviços públicos.

Não é por acaso que empresas fecharam as portas e algumas famílias abandonam os bairros. "Chega de ficar na linha de tiro todo dia. Para não ser a próxima a morrer, estou indo embora", reclamou, na última terça-feira, a enfermeira X., de 31 anos, enquanto saía às pressas do Morro do Juramento, levando apenas uma mala.

Outro morador de Guadalupe reclamou nas redes sociais no dia 24 de janeiro. "Peço ajuda para as ruas Barão e Detetive Hungria, porque bandidos menores de idade, com armas e bombas, estão colocando medo nos moradores. Há casas onde eles entram e de onde não saem”, lamentou.

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