Por nicolas.satriano
Rio - Depois de ser derrotado com a eleição de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para a presidência da Câmara, o governo Dilma Rousseff (PT) corre o risco de transformar em alvo do PMDB do Rio, com a criação de CPI para investigar a interrupção de repasses da Petrobras para o estado. Eleito pela quinta vez para a presidência da Assembleia Legislativa (Alerj), Jorge Picciani sinalizou nesta segunda-feira com a instalação da comissão de inquérito, que contaria com o aval do governador Luiz Fernando Pezão.
Trata-se de uma iniciativa, segundo Picciani, para “encontrar saídas para a crise do petróleo”. O DIA apurou que não haverá dificuldade para recolher as 23 assinaturas necessárias, pois o tema interessa o governo Pezão, que já chegou a ameaçar cortar incentivos fiscais da estatal. “A indústria do petróleo é fundamental para a vida do Rio, assim como a questão hídrica é para a vida”, afirmou Picciani.

Em seu primeiro discurso à frente da Casa, o novo presidente da Alerj garantiu que vai agir com independência em relação ao Executivo. “Não farei defesa do governo. No momento em que achar que devo fazê-lo, descerei para o plenário e o farei como deputado. Não como presidente”, disse.

Eleito pela quinta vez para a presidência da Alerj%2C Picciani (na foto%2C cumprimentado pelo filho Rafael) obteve 65 do total de 70 votos de deputadosBruno de Lima / Agência O Dia

Nesta terça-feira, a oposição tentará protocolar duas CPIs incômodas ao Palácio Guanabara: uma sobre a crise hídrica e outra sobre a privatização do Maracanã, ainda na gestão de Sergio Cabral. Depois de protocolar as assinaturas, a CPI só é criada oficialmente com a publicação no Diário Oficial — decisão que caberá a Picciani.

Líder do movimento que pregou o voto em Aécio Neves (PSDB) para presidente, o deputado — presidente regional do PMDB — não teve dificuldade para voltar ao comando da Alerj. Em chapa única, teve apoio de 20 dos 21 partidos. Foram 65 dos 70 votos da Casa. Os cinco parlamentares do Psol, embora acertados com o peemedebista para permanecerem na Comissão de Direitos Humanos, votaram “não”.

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Principal líder do Psol na Alerj, Marcelo Freixo gostou do anúncio do presidente de tirar os tapumes das portas e janelas da casa e de prometer não mais cercar o Palácio Tiradentes em solenidades oficiais. “Toda e qualquer iniciativa que dê transparência à Casa terá o nosso apoio”, afirmou.
Picciani se comprometeu ainda a cortar pelo menos R$ 18 milhões, com duas medidas, como adiantou neste domingo o DIA. A primeira será a redução de selos dos Correios de três mil para mil por parlamentar e a segunda cortar o auxílio-escola de servidores e comissionados e dar, no lugar, um salário mínimo como o complemento para educação dos filhos.
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Rio terá novos vereadores
Foram empossados ontem quatro novos vereadores do Rio, que assumiram mandatos graças à eleição de antigos titulares para outros cargos públicos. Célio Lupparelli (DEM), Babá (Psol), Zico (PTB) e Rogério Rocal (PSDC) estarão na Câmara Municipal daqui a duas semanas, na volta ao trabalho após dois meses de recesso.
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Presidida pelo vereador Jorge Felippe (PMDB), a sessão começou com a leitura dos juramentos pelos novos deputados. Quando Babá foi anunciado, a militância do Psol, que lotou parte do salão nobre, transformou o espaço em arquibancada. “O radical voltou!”, entoaram, em homenagem ao paraense, que assumirá a vaga deixada por Eliomar Coelho, eleito deputado estadual. “Serei oposição intransigente ao prefeito Eduardo Paes”, prometeu Babá.
A mesa garantiu três minutos de discurso para cada novo vereador, tempo regulamentar respeitado apenas por Zico (PTB), que voltará ao Palácio Pedro Ernesto graças à eleição de Cristiane Brasil para Câmara dos Deputados. Em sua fala, agradeceu ao “grupo político da Zona Oeste”. Depois, disse se tratar de uma saudação aos colegas Pedro e Rosa Fernandes (Solidariedade) e ao deputado federal Pedro Paulo Carvalho (PMDB).
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Célio Lupparelli reforçou, diversas vezes, que vai “lutar pela dignidade da pessoa humana”, enquanto Rogério Rocal foi outro a exaltar Pedro Paulo como padrinho político.
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