Por nicolas.satriano
Quantidade de raios que caíram na cidade em pouco mais de 3 horas impressionou Carlos Moraes / Agência O Dia

Rio - A tempestade que estreou o mês de fevereiro, na noite de domingo, assustou os cariocas não só pelo aguaceiro que desalojou moradores em 11 comunidades do município. Mais impressionante foi a quantidade de raios que caíram em curto tempo. Segundo o Instituto Climatempo, 1.968 descargas elétricas foram registradas em quase três horas na cidade. E a meteorologia alerta: vêm mais água e trovoadas por aí.

Segundo o meteorologista chefe do sistema Alerta Rio, Pedro Jourdan, das 20h30 às 23h45, choveu 30% do esperado para todos os dias de fevereiro. Áreas da Zona Norte e de Jacarepaguá foram as mais estremecidas pelos raios. A maioria atingiu o solo nessas regiões.

“Todo o estado está passando por um período de grande instabilidade atmosférica, que vai ser caracterizada, ao longo desta semana, por períodos de pancadas de chuva, podendo ser fortes, e rajadas de vento. Os temporais podem vir a qualquer hora”, ressalta o meteorologista.

Quem entrou em pânico anteontem pode ir preparando o coração. A meteorologista Bianca Lobo, do Climatempo, avisa que tempestades com raios devem voltar a acontecer quinta e sexta.

Nesta terça-feira o sol deve aparecer pela manhã, mas também é grande a chance de pancadas com raios à tarde. “Mas não vai ter tempestade”, prevê Bianca Lobo.

Mas como depois da tempestade vem a bonança, já diz o ditado, lagoas que estavam minguando com a seca começaram a ganhar vida nova após a chuva. Apesar de ainda estar 40 centímetros abaixo do nível normal, a Rodrigo de Freitas praticamente já tem seu espelho d’água recuperado: houve um aumento de cerca de 15 centímetros no nível da água. 

"A pessoa deve se informar previamente sobre as condições de segurança para uma chuva com raios, como evitar lugares abertos, usar celular e ficar embaixo de barracas de praia com hastes de metal. Quanto mais ela se informar a respeito do que tem medo, mais se sente segura para enfrentar momentos de perigo", aconselha a psicóloga Rovena Paranhos, professora da Faculdade de Medicina de Petrópolis.

O engenheiro elétrico Vincenzo Di Giorgio, CEO da Dinatech Brasil, recomenda ligar os aparelhos eletrodomésticos em estabilizadores de tensão para evitar prejuízos em uma queda de luz. "Os eletrodomésticos normalmente estão dentro de casa. Então não podem ser atingidos por raios. Mas se a luz cair e voltar, aí tem oscilação de tensão e eles podem queimar. Os estabilizadores impedem que a corrente elétrica ultrapasse a tensão máxima", explica o especialista.

Quinta da Boa Vista

Na Quinta da Boa Vista, mesmo sem a medição do nível dos lagos, a administração do parque comemora. O tradicional pedalinho poderá voltar a fazer a graça dos visitantes ainda nesta terça-feira.

“Apenas os passeios de caiaque não serão possíveis”, disse o administrador da Quinta, Walter Nasseh.

Os foliões de plantão também podem comemorar: o Carnaval deve ser quente e sem tempestades no Rio.

Chuva forte de domingo não encheu reservatórios de abastecimento do estado%2C mas recuperou o lago da Quinta da Boa Vista%2C que estava vazioCarlos Moraes / Agência O Dia

Pelo menos de sexta (13) a segunda (16), os radares do Climatempo indicam que a temperatura vai ultrapassar a marca dos 30 graus, podendo chegar a 37 na sexta. Em alguns dias, pode chover fraco.

“Em caso de raios, procure um abrigo ou fique dentro de um carro. Saia de locais descampados, como praias e piscinas, porque é maior o risco de a pessoa servir de para-raio”, recomenda o médico Thiago Ribeiro, chefe do serviço de emergência do Hospital São Lucas.

Sistema de sirenes é acionado em 11 comunidades

Por causa das fortes chuvas registradas na noite de domingo, foram acionadas, de forma preventiva, sirenes do Sistema de Alerta e Alarme Comunitário da Prefeitura do Rio.

Onze comunidades tiveram o dispositivo disparado a partir das 21h50. Os moradores foram orientados por agentes comunitários e pela Defesa Civil a se dirigirem aos pontos de apoio. Os moradores retornaram para suas casas, em segurança, por volta de 0h35.

Para que tais equipamentos sejam acionados, é preciso que sejam registrados 40 mm de chuva em uma hora. Na estação pluviométrica da Cidade de Deus, foi registrado o acumulado de 24,2mm em apenas 15 minutos. Com esse volume, pode haver deslizamento de encostas.

As sirenes foram acionadas nas seguintes comunidades: Nova Brasília, Palmeiras, Parque Alvorada, Cariri, Jardim do Carmo, Morro da Fé, Frei Gaspar, Caixa D’água, Sereno, Relicário e Vila Matinha.

Antes de as sirenes tocarem, as lideranças comunitárias treinadas pela Defesa Civil já haviam informado aos moradores sobre a possibilidade de evacuação das áreas. A Defesa Civil municipal utilizou 70 agentes e 15 viaturas na operação.

Houve registros de chuva muito forte em bairros da Zona Norte, como Irajá e proximidades, no Grande Méier e em Anchieta. Também choveu bastante por volta das 21h25 de domingo no Tanque, na Estrada Grajaú-Jacarepaguá e no Alto da Boa Vista.

Temporais têm pouco impacto sobre reservatórios

Toda a água que caiu desde sexta-feira não adiantou muito para mudar a situações dos reservatórios do estado. Somente o do Funil teve um aumento no volume útil, passando de 3,95%, da última quinta-feira, para 4,55%, no domingo. O nível dos demais continua em queda.

O Instituto de Nacional de Meteorologia (Inmet) informou que o déficit de chuvas chegou à pior marca em 30 anos durante os meses de janeiro. Em algumas cidades chegou a chover apenas 2% do esperado, caso de Macaé: ou seja, foi registrado um “déficit de chuva” de 98%. Segundo o Inmet, as cidades onde mais choveu foram Teresópolis, Valença e a capital, que mesmo assim, ficaram com déficit entre 40% e 61%.

Com a estiagem, municípios fluminenses correm sérios riscos de abastecimento: um deles é Paraíba do Sul. Segundo a prefeitura local, os níveis de água já estão baixíssimos, com 45 centímetros abaixo do normal em períodos de seca. “O município está em alerta total”, disse a secretária de comunicação de Paraíba do Sul, Elaine Moura.

“A gente tem que aprender a trabalhar com pouca água. Já deveria ter acontecido o racionamento de água no estado. Os reservatórios só vão voltar ao normal daqui 3 a 4 anos”, diz a vice-presidente do Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do rio Paraíba do Sul, Vera Lúcia Teixeira.

PMs do Comando de Policiamento Ambiental fizeram operação ontem para coibir captação irregular de água, em Curicica. Um homem foi detido com um caminhão-pipa e sete caixas d’água, quatro bombas e notas fiscais.

Colaboraram Athos Moura e Vinícius Amparo

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