Por nicolas.satriano

Rio - A nomeação de seu irmão, Jonathan Marins Aguiar, para cuidar da Saúde de Barra Mansa não garantiu ao prefeito Jonas Marins Aguiar (PCdoB) a situação sob controle na pasta. O setor é alvo de críticas de parte dos moradores, por falta de médicos, aparelhos e demora no atendimento. Conforme o DIA noticiou nesta quinta-feira, o prefeito também nomeou a mulher, Maria José Cezar, para a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos.

Segundo o vereador Rodrigo Drable (PMDB), que entrou ontem com um projeto de lei para que os secretários do município tenham qualificação para ocupar o cargo, Jonathan não tem nenhuma experiência em administração da pasta ou formação médica. “Faltam médicos especializados, só tem clínicos gerais e eles ganham mal. Também faltam instrumentos. Não adiantaria, por exemplo, trazer o melhor neurocirurgião para cá que não teria aparelhos para trabalhar”, criticou.

Marlene%2C com o filho%2C diz que é difícil se consultar em posto de saúdeFabio Gonçalves / Agência O Dia

Drable também afirmou que a prefeitura tem contratado organizações sociais para administrar unidades de saúde e transferir a sua responsabilidade para as entidades. O auxiliar de controle Jonathan Flores, de 24 anos, disse que a sua mãe, Dilma de Assis, morreu porque não conseguiu ser transferida da UPA do Centro de Barra Mansa para o CTI de nenhuma unidade. “Foi constatado um AVC e ela ficou internada uma semana na UPA até falecer. Pedi ajuda ao prefeito e ao secretário para transferi-la, mas nada foi feito”, acusou.

Moradora do bairro Vista Alegre, Marlene Gomes Viana, 44, reclamou que o Posto de Saúde da Família do loteamento Belo Horizonte, na Rua Sete de Setembro, não tem atendimento prioritário. “Meu sogro ficou mais de três horas esperando a médica em uma cadeira de rodas, na semana passada. Quem quiser conseguir uma consulta, tem que agendar para o dia seguinte. Se tiver com um problema urgente, vai sofrer”, afirmou.

Questão cultural

Líder do PCdoB na Câmara dos Deputados, a deputada Jandira Feghali defendeu que as convocações do prefeito de seu partido não são nepotismo porque o irmão dele é funcionário de carreira. “Jonathan é técnico e foi chamado para a secretaria porque era competente”. Também alegou que “todos os governadores e prefeitos botam suas esposas como secretárias”. “Sobre a mulher, acho ruim isso da esposa ter que ser secretária do marido, mas é cultural”, disse.

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