Por paloma.savedra

Rio - A possibilidade de Eike Batista estar se desfazendo de parte de seu patrimônio motivou a decisão da Justiça Federal de bloquear os bens do empresário. Em entrevista concedida à Globo News nesta sexta-feira, o juiz da 3ª Vara Criminal Federal, Flávio Roberto Souza, afirmou que a medida tem como objetivo garantir o pagamento de possíveis indenizações a credores - caso Eike seja condenado. Ele ressaltou ainda que todos os bens bloqueados foram os declarados na Receita Federal. 

Eike Batista teve todos seus bens declarados na Receita Federal bloqueados pela JustiçaAg. News

"Durante o processo, tivemos provas suficientes de que ele vem se desfazendo de vários bens. Ele fez vultuosas doações em dinheiro, em imóveis e remeteu dinheiro para o exterior. Antes, havia apenas uma ação penal contra Eike, agora, são três, e totalizando seis crimes. Somando-se, além da pena restritiva de liberdade, há previsão da aplicação de multas aos danos causados. O bloqueio e apreensão dos bens não são para garantir as indenizações apenas, mas o pagamento das custas processuais", declarou o magistrado.

Polícia Federal apreende bens do empresário Eike Batista

Magistrado rebate acusações da defesa

O juiz chegou a responder as críticas da defesa, composta pelos advogados Ary Bergher e Sérgio Bermudes. Eles alegam arbitrariedade do magistrado e já apresentaram arguição por imparcialidade do juiz. O processo corre em segredo de justiça e Bergher afirma não ter tomado ciência do conteúdo da decisão. Já o advogado Sérgio Bermudes chegou a classificar a decisão como uma 'selvageria'.

"A defesa criticou o fato de eu ter assinado a decisão de bloqueio dos bens, mas não o de apreensão. A defesa por sua absoluta ignorância não sabia que quando eu assinei a primeira decisão estava aqui, e, depois, foi o juiz substituto porque eu estava de licença médica", afirmou o juiz. 

Polícia Federal apreendeu Lamborghini Aventador LP700-4 de Eike%2C avaliado em R%242%2C8 milhões%2C e utilizado para decorar a sala do empresárioDivulgação

Segundo ele, o bloqueio dos bens dos filhos e ex-mulher de Eike foram necessários: "A decisão não vale só para ele, porque, em um período no qual as suas empresas já estavam em uma situação crítica e até em recuperação judicial, ele doou grande parte do patrimônio dele a parentes próximos", afirmou o magistrado. 

Em operação realizada nesta sexta-feira, policiais federais apreenderam diversos bens do empresário Eike Batista - como carros de luxo e até um piano -; de seus dois filhos mais velhos, Thor e Olin; de sua ex-mulher, Luma de Oliveira, e da mãe de seu terceiro filho, Flávia Sampaio, em duas residências do milionário, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio.

Entre os bens, foram apreendidos sete carros, entre eles um Lamborghini Aventador LP700-4 - avaliado em R$ 2,8 milhões, e que era usado para decorar a sala do empresário - e um Porsche Cayenne. Os agentes também levaram R$ 90 mil em dinheiro, celulares, computadores, quadros e até um piano. No fim desta tarde, os dois carros de luxo foram levados do pátio da Polícia Federal para o da Justiça Federal, na Rua Barão de Teffé, no Centro.

A defesa de Eike Batista repudiou a decisão judicial e alegou que também não teve acesso ao documento. O advogado Sérgio Bermudes informou ainda que vai recorrer da decisão.

Na noite desta quinta-feira, o juiz federal Flávio Roberto Souza determinou o bloqueio de R$ 1,5 bilhão ativos financeiros do empresário e outros R$ 1,5 bilhão em imóveis e móveis (como veículos), somando R$ 3 bilhões. Além disso, o juiz solicitou informações das contas bancárias de Eike.

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