Por nicolas.satriano

Rio - O Estado do Rio de Janeiro está perdendo mais cinco mil metros cúbicos de água por segundo, desde o primeiro minuto desta sexta-feira. A decisão de reduzir a vazão do Rio Paraíba do Sul para 140 mil fora tomada há dias, mas até ontem operava em 145 mil — passando aos 140 mil à meia-noite. O objetivo é chegar a 130 mil no início de março e, gradualmente, reduzir a 110 mil. Antes da crise hídrica, a vazão mínima era de 190 mil metros cúbicos por segundo na Estação de Santa Cecília, em Barra do Piraí.

O tema foi amplamente debatido ontem em reunião entre técnicos da Agência Nacional de Águas (ANA), do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e entidades ligadas a questões hídricas do Rio e de São Paulo.

No próximo dia 12, haverá novo encontro para decidir se a vazão cairá mesmo para 130 mil metros cúbicos por segundo. Se isso ocorrer, empresas no polo de Santa Cruz poderão ser as primeiras a sofrer com falta d’água.

“Elas fazem captação diretamente do Rio Guandu, que é abastecido pelo Paraíba do Sul. Com a redução da vazão para 130 mil metros cúbicos por segundo, as empresas não conseguirão captar água para garantir a produção”, alertou a bióloga Vera Lúcia Teixeira, vice-presidente do Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (Ceivap), que participou da reunião.

Quando a vazão alcançar os 130 mil metros cúbicos por segundo, cidades fluminenses que captam água diretamente do Paraíba do Sul sofrerão impacto. A ONS solicitou que tais municípios apresentem relatório sobre as interferências que farão — e prazos — para minimizar o problema.

“Precisamos alcançar uma vazão de 110 mil metros cúbicos, para garantir que se chegue com segurança até o fim do ano. Se não houver uma operação drástica agora, corremos o risco de todos os reservatórios entrarem no nível morto”, argumentou Vera Lúcia.

Para a bióloga, os governantes têm que assumir a possibilidade de racionamento. “Se o povo não parar de desperdiçar, se não houver uma reutilização da água, vai faltar sim. Não adianta rezar para chover, porque o problema não está em São Pedro, nem em São Paulo. É preciso alertar a população sobre a real situação e promover políticas públicas contra o desperdício. Também não escuto um discurso de político sobre a necessidade de se recuperar a Bacia do Rio Paraíba do Sul”, ressalta.

Nesta quinta-feira, a Assembleia Legislativa do Rio aprovou uma lei que dá transparência ao monitoramento da vazão da água e da qualidade do Paraíba do Sul. De autoria do deputado Comte Bittencourt (PPS), a medida ajudará a controlar a poluição sobre os mananciais. A Alerj já havia aprovado a instalação de uma CPI para investigar a gestão dos recursos hídricos.

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