Por thiago.antunes

Rio - Mesmo após denúncias de fragilidade na segurança dos hospitais da Polícia Militar, publicadas no fim do ano passado pelo DIA, um soldado do 10º BPM (Barra do Piraí) teve seus pertences furtados dentro da unidade Central da corporação (HCPM), no Estácio. O fato ocorreu na quinta-feira, no setor de trauma, onde a vítima aguardava atendimento. Durante um momento de distração, foram levados um tablet, documento de identidade funcional do policial, notebook, celular e roupas.

O PM, que sofreu acidente de trânsito no último dia 3, quando passava entre os municípios de Miguel Pereira e Paty do Alferes, na Região Sul Fluminense, foi transferido para o HCPM com algumas fraturas e escoriações pelo corpo.

“Ele teve a mochila furtada com os objetos num momento em que a noiva dele se distraiu. Levaram tudo. Não há segurança dentro da própria unidade, que é da polícia. Um absurdo”, contou um amigo da família, que não quis se identificar.

No fim do ano%2C PM que deveria cuidar da entrada do hospital em Niterói foi flagrado distraído com celularOsvaldo Praddo / Agência O Dia

Inconformada com o descaso, a noiva do militar fez registro na 6ª DP (Cidade Nova), no mesmo dia do furto. O delegado Antenor Lopes enviou ofício à PM, requisitando as imagens das câmeras de segurança do hospital. De acordo com o presidente da Associação dos Cabos e Soldados da PM, Vanderlei Ribeiro, este e outros casos, como a remuneração dos policiais e sua jornada de trabalho, serão discutidos com o comandante da corporação, coronel Alberto Pinheiro Neto, em uma reunião marcada para depois do Carnaval. “Não pode haver um furto dentro de um hospital da Polícia Militar”, criticou Vanderlei.

Em dezembro do ano passado, diante das denúncias de livre acesso e falta de segurança na unidade, publicadas em O DIA, a assessoria de imprensa da corporação informou que “as medidas relacionadas à saúde da PM faziam parte de uma série de mudanças a serem implementadas pelo coronel Alberto Pinheiro Neto, a partir do primeiro mês de 2015, e seriam divulgadas no momento oportuno”.

No entanto, passados alguns dias do fim de janeiro, os problemas continuam se repetindo nas unidades e preocupando os parentes e militares que buscam atendimentos nos dois hospitais da corporação. Ontem, a Polícia Militar informou que, após o episódio de furto, o HCPM enviou as imagens do circuito interno para a delegacia e que está colaborando com as investigações da Polícia Civil.

Em dezembro, O DIA flagrou a falta de segurança

Em dezembro do ano passado, O DIA mostrou que qualquer pessoa conseguia entrar e sair dos hospitais — destinados exclusivamente a militares e seus parentes — sem ser abordado ou identificado, exigência mínima em qualquer unidade de saúde. À noite, os corredores ganhavam ares de cidade fantasma, o que fazia dos pacientes alvos fáceis.

Em duas ocasiões, a equipe de reportagem entrou em carro com película escura. A cancela estava levantada. Já dentro do hospital, o repórter teve acesso a várias alas de dois andares, sem que ninguém questionasse sua presença. Durante uma hora, foram feitas selfies nos corredores, onde há câmeras com o propósito de segurança. Na ocasião, na unidade de Niterói, um PM que estava na guarda foi fotografado enquanto mexia no celular. Ele não percebeu a presença da reportagem.

A única ‘proteção’ encontrada foi uma corrente de plástico em frente a um corredor que leva à parte principal do hospital, inclusive às enfermarias, onde estão internados PMs. A corrente era facilmente retirada por qualquer um, já que a recepção ao lado estava vazia. A equipe passou pela Emergência, Sala de Medicamentos, Raio X, Laboratório, Enfermarias, setor de Mamografia e Tomografia, onde só não entrou para não comprometer o ambiente médico.

Ontem à tarde, um dia após o furto, duas viaturas estavam paradas em frente à unidade, vazias. Apenas um policial fazia a segurança na rampa de acesso.

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