Por felipe.martins

Rio - Grávidas que acabaram de dar à luz nesta sexta-feira se recuperavam do trabalho de parto acomodadas em cadeiras de plástico e sofás no corredor do Hospital Municipal Maternidade Fernando Magalhães, em São Cristóvão. Imagens obtidas com exclusividade pelo DIA mostram grupo de mulheres com recém-nascidos no colo, algumas amamentando ou até mesmo recebendo soro, aparentando extremo cansaço.

“Isso é uma indignidade. O governo fala sobre violência contra a mulher e o próprio poder público pratica violência contra a mulher”, criticou o presidente do Sindicato dos Médicos do Rio (Sinmed), Jorge Dale Darze.

Mulheres que tinham acabado de dar a luz eram obrigadas a se recuperar em cadeira de plásticoFoto de leitor

De acordo com ele, a história da maternidade está sendo “jogada no lixo” pois a unidade chegou a receber o título de Hospital Amigo da Criança, oferecido pela Unicef, por incentivar o aleitamento materno exclusivo. O hospital também teve menção honrosa por atendimento humanizado.
“Isso precisa acabar. É um filme que se repete. Esse governo não toma nenhuma iniciativa para acabar com isso”, continuou Darze.

Na semana passada, O DIA mostrou que a ausência de profissionais especializados levou ao fechamento do Centro de Terapia Intensiva (UTI) do hospital. Há nove dias, pacientes em estado de risco, especialidade da maternidade, seguem sob observação de profissionais sem especialização em um único leito improvisado na sala de recuperação pós-anestésica.

Agora, o leito improvisado passou para a sala de pré-parto — como pode ser visto na imagem ao lado, onde uma paciente que inspira cuidados de terapia intensiva está sendo atendida. Essa mesma sala antes recebia seis gestantes, mas no momento só tem espaço para quatro, que dividem o local com a paciente de alto risco.

Redução de leitos

Originalmente, a maternidade tinha dez leitos no CTI. Obras na unidade fizeram com que a quantidade fosse reduzida para cinco, e, desde a semana passada, o local foi fechado, segundo comunicado interno, por “motivo de força maior”. Devido ao fechamento, um memorando foi colado pela direção do hospital na porta do CTI para orientar que o serviço de plantão evite “internar casos mais complicados e que a solicitação de transferência desses casos seja feita ainda na emergência do hospital.”

Com o CTI fechado%2C o tratamento intensivo de pacientes graves é improvisado em salas%2C segundo médicosFoto de leitor

O Sindicato dos Médicos do e o Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj) denunciaram ao Ministério Público a situação da maternidade. Para os órgãos, há omissão do poder público. Eles irão pedir à Justiça que obrigue a prefeitura a reabrir o CTI. A maternidade realiza cerca de 500 partos por mês e não há previsão de retorno do atendimento na unidade intensiva.

Procurada, a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou, por meio de nota, que a unidade funcionou em sua capacidade plena, devido à grande demanda. “Em função disso, ocasionalmente, em momento de pico, puérperas (mulheres que acabaram de dar à luz) e seus bebês permaneceram por tempo maior nas dependências da sala de parto, até serem transferidas para o leito”. A SMS disse ainda que no momento, não há pacientes à espera de leito, “todas estão devidamente acomodadas nas enfermarias”.

A prefeitura justificou o fechamento do CTI pela necessidade da realização de obras para readequação. “Essa situação é recorrente, o hospital já apresentava precariedade desde 2013, quando o sindicato denunciou o total desrespeito do poder público”, completou Darze, ao lembrar de outro período de fechamento do CTI.

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