Por karilayn.areias

Rio - Cidades do Norte Fluminense e da Região dos Lagos afetadas pela queda na arrecadação dos royalties assinaram ontem, em Armação dos Búzios, manifesto com um pacote de medidas para reduzir os impactos da crise econômica. O documento, entregue ao governo do estado, será levado à Petrobras e ao governo federal.

Prefeitos das dez cidades que mais dependem dos royalties se reuniram com o secretário Julio Bueno (D)Divulgação

Nele, prefeitos de dez cidades cobram investimentos em infraestrutura e no desenvolvimento das vocações locais. A intenção é reduzir a dependência dos recursos repassados pela indústria petrolífera para Campos, Macaé, Cabo Frio, Búzios, Rio das Ostras, Casimiro de Abreu, São João da Barra, Quissamã, Carapebus e Conceição de Macabu.

A Bacia de Campos é responsável por 84% da produção nacional de petróleo e 50% do gás do país. De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o setor offshore é responsável por 63% dos empregos na região, onde vivem 1,2 milhão de pessoas.

Com a queda no preço do barril do petróleo — de R$ 103,17 em junho para R$ 54,46 —, as cidades perderam de 25% a 35% em royalties. O número de pessoas demitidas no setor, pela primeira vez, superou o de contratações: 38.139 foram dispensados em 12 meses, contra 36.546 admissões.

“Todos acham que o repasse é grande, mas não veem que ninguém vive no mar. Temos que pagar moradia, saúde e saneamento dos trabalhadores do setor. O ônus é alto”, ressalta Marcelo Neves, secretário de Petróleo, Energias e Inovação Tecnológica de Campos.

“A crise é grave, sem dúvida, mas é passageira. Para vencê-la, o governo do estado está construindo parcerias público-privadas”, disse Julio Bueno, secretário estadual de Desenvolvimento Econômico.

Prefeitos cobram garantia de investimentos públicos

Na carta, os prefeitos criam o Núcleo de Desenvolvimento Regional, com representantes dos 10 municípios, e traçam políticas para diversificar a economia regional. São pedidos a duplicação da RJ-106 e investimentos na captação e distribuição de água e no fornecimento de eletricidade.

Em Casimiro de Abreu, a arrecadação em 2014 foi R$ 24 milhões inferior à estimada e em Macaé, as perdas chegam a R$ 120 milhões. O prefeito Aluizio dos Santos Júnior, o Dr. Aluízio, acredita que a saída é investir nas vocações econômicas de cada cidade, como indústria eólica na Região dos Lagos, biocombustível em Campos, turismo e pesca, fortes em várias cidades.

Segundo ele, a região está pronta para continuar crescendo. “Os royalties são fundamentais, mas a preocupação é que a Petrobras continue investindo na Bacia de Campos. Se não fizerem isso, será um infortúnio regional e uma derrocada para o Brasil”, diz Dr. Aluizio.

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