Por thiago.antunes

Rio - Um mototaxista foi morto com um tiro de fuzil nas costas no início da manhã, na Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, na Zona Norte, provocando violenta manifestação da comunidade. Já no Complexo do Alemão, um tiroteio assustou moradores de duas comunidades no começo da manhã. As localidades de Fazendinha e Alvorada ficaram sem energia durante boa parte do dia.

Segundo testemunhas, Diego da Costa Algarves, 22 anos, morreu após disparo feito por um policial da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) local. O atirador e outros policiais faziam uma blitz, por volta de 7h, na Praça São Lucas, quando a vítima não teria obedecido ordem para parar a moto.

O mototaxista Diego Algarves teria sido morto em abordagem de PMs na UPP Vila CruzeiroReprodução

Revoltados, parentes e amigos de Diego jogaram pedras e garrafas nos policiais que, conforme os manifestantes, teriam apanhado a cápsula da bala que atingiu o jovem. Pouco depois, um carro da imprensa e outro da Divisão de Homicídios (DH) da Capital foram apedrejados. A polícia revidou com bombas de gás lacrimogêneo e de pimenta. Ninguém ficou ferido. O comércio fechou as portas.

Policiais do Batalhão de Choque, com apoio de um helicóptero, foram acionados e reforçaram a segurança na região. Revoltados, mototaxistas paralisaram suas atividades à tarde e organizaram uma passeata pedindo paz na Vila Cruzeiro.

Policiais da Divisão de Homicídios isolaram o local onde Diego foi atingidoReprodução Internet

“Meu sobrinho era trabalhador, responsável, e foi morto covardemente pelas costas só porque parou mais à frente de onde a polícia havia mandado. Eles (PMs) estão aqui para defender os moradores e não para matá-los”, desabafou Marluce Algarves, 54.

Ao compartilhar vídeo de um intenso tiroteio, Diego postou no dia 25, em seu Facebook: “Juramento (morro em guerra com o Complexo da Pedreira) é CV (sigla da facção criminosa Comando Vermelho) p.!”. Para um mototaxista que o conhecia, Diego não tinha envolvimento com crimes. “Era apenas um jovem alegre, que gostava de tirar sarro de tudo. Fizeram uma covardia com ele”.

Segundo a Coordenadoria das UPPs, um Inquérito Policial Militar foi aberto para apurar o caso. A DH informou que os PMs envolvidos na ação começaram a ser ouvidos, assim como outras pessoas que teriam presenciado o episódio. As armas foram encaminhadas para perícia para confronto balístico.


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