Por karilayn.areias

Rio - REFERÊNCIA no atendimento a grávidas de alto risco, o Hospital Maternidade Fernando Magalhães sofre nas últimas semanas com alta demanda de gestantes e o fechamento do seu Centro de Terapia Intensiva. Funcionários denunciaram que o CTI fechou por falta de médicos especializados. Em entrevista ao , o secretário de Saúde, Daniel Soranz, diz que o problema foi uma obra e garante que até o início de abril o centro será reinaugurado. Após a reforma, no entanto, a unidade vai mudar de característica, focando o atendimento no serviço ginecológico. Soranz afirma ainda que até meados de 2016 será apresentado um novo plano de cargos e salários para os servidores públicos.

Sexta passada, mulheres que tinham acabado de dar à luz se recuperavam no corredor da unidadeFoto de leitor

ODIA: O CTI dessa maternidade, que tem como especialidade o atendimento a grávidas de alto risco, foi fechado há cerca de uma semana. O que de fato ocorreu?

DANIEL SORANZ: O Rio de Janeiro criou novas maternidades. Uma delas é a Maria Amélia, no Centro, outra que a gente tem é a Mariska Ribeiro, na região de Bangu. Temos três maternidades que funcionam dentro de hospitais gerais, a Leila Diniz, dentro do Hospital Lourenço Jorge, a maternidade do Pedro II, nova e totalmente remodelada, que também funciona dentro de hospital geral com CTI, e a do Ronaldo Gazolla, em Acari, que ampliou capacidade de parto. A secretaria acredita que é importante ter CTI ligado a um complexo hospitalar, para ter um centro cirúrgico e uma maternidade com parque de imagem mais qualificado. Esse é o desenho. Isso não é da gestão do prefeito Eduardo Paes. Desde 2006, a gente vem trabalhando para juntar as maternidades aos hospitais de maior complexidade para atender gestações de alto risco.

Mas qual motivo levou ao fechamento do CTI?

Se você perceber, essa maternidade aqui é um prédio da década de 1960, mas que a gente vem investindo gradativamente nos setores, reformando para que possa avançar. Um dos setores que a gente precisa reformar é o CTI. O centro de terapia intensiva foi fechado para reforma e temos perspectivas de inaugurá-lo nos próximos 60 dias. Mas o que a gente pretende também é mudar o perfil para um serviço mais próximo da ginecologia do que um serviço simplesmente de alto risco e CTI obstétrico. A gente está investindo na maternidade. Há oito meses entregamos a reforma do CTI Neonatal, que avançou bastante, é uma conquista, não foi simples de fazer.

Então o CTI vai reabrir em dois meses. O problema foi só a reforma ou há falta de pessoal?

Foi superimportante a gente ter fechado porque ele estava funcionando enquanto a obra estava ocorrendo e isso não é legal.

Funcionários da maternidade dizem que o CTI fechou por falta de profissionais depois que três médicos se demitiram. Por que fechar só agora, já que a obra está quase acabando?

Não há questão sobre isso. Tem uma posição colocada pelo sindicato dos médicos que não é real. O CTI não fechou por causa de demissão de funcionários. Ele fechou porque estava com uma taxa de ocupação muito baixa e não tinha condições físicas adequadas para funcionar. Por isso, a secretaria, junto à superintendência de maternidade e com a direção da unidade, decidiu pelo fechamento até que a obra terminasse. Não é verdade que ela fechou por falta de funcionários porque poderiam ser repostos. Foi para garantir a segurança dos pacientes.

Os funcionários ainda insistem que há falta de pessoal.Há previsão de contratações?

A gente chamou técnicos de enfermagem e vários outros profissionais do concurso para poder assumir essas vagas e daqui a 60 dias a gente vai ter o CTI sendo reinaugurado com novos profissionais. Obviamente que a gente vai permitir que outros profissionais da rede possam ser remanejados para cá porque essa é uma maternidade bem localizada.

Os concursos tem dificuldade para preencher as vagas porque os salários são considerados baixos. Ao mesmo tempo, o valor gasto com as organizações sociais para contratação de pessoal já chega a 45% do orçamento da secretaria de Saúde. Isso não prejudica mais a situação?

É importante que a gente deixe claro que todos os municípios têm dificuldade de trabalhar exclusivamente com a administração direta. Esse modelo de gestão está sob questão. Os processos de compra de insumos são muito longos e atrapalham. Não tem previsão de aumento para as OS. Vamos manter esse patamar. Agora, não é verdade que as OS têm uma rotatividade maior de profissionais. Isso é uma lenda urbana. Em compensação, isso ocorre entre os estatutários. O problema está ligado ao nosso plano de carreira. Há 20 anos que se discute o assunto. A gente pretende apresentar um novo plano de carreira para o início do ano que vem.

Falta de médicos ainda preocupa

Originalmente, a maternidade Fernando Magalhães tinha dez leitos no CTI. Obras na unidade fizeram com que a quantidade fosse reduzida para cinco e, desde o dia 29 de janeiro, o local foi fechado, segundo comunicado interno, por “motivo de força maior”.

O fechamento foi informado por meio de um memorando colado pela direção do hospital na porta do CTI para orientar que o serviço de plantão evite “internar casos mais complicados e que a solicitação de transferência nesta situação seja feita ainda na emergência do hospital.” No entanto, funcionários dizem que três médicas intensivistas que trabalhavam no CTI pediram demissão por falta de condições de trabalho.

A partir disso, pacientes em estado de risco seguem sob observação de profissionais sem especialização em um único leito improvisado na sala de recuperação pós-anestésica. Na semana passada, o leito improvisado passou para a sala de pré-parto. No sábado o DIA também mostrou imagens de mulheres se recuperando do parto acomodadas em cadeiras de plástico e sofás devido à lotação da unidade. O secretário de Saúde, Daniel Soranz, informou que o fato ocorreu devido a um “pico pontual” de atendimento.

O vereador Paulo Pinheiro, membro da Comissão de Saúde da Câmara, contou que esteve na maternidade na última semana e visitou o CTI reformado.

“A comissão esteve na unidade semana passada e viu que o CTI está pronto, uma obra belíssima. Só não funciona por falta de clínicos e obstetras especializados em alto risco, o que sempre teve ali”, afirmou Pinheiro, ao dizer que a responsabilidade pela contratação é da secretaria.

A maternidade já chegou a receber o título de Hospital Amigo da Criança, oferecido pela Unicef, por incentivar o aleitamento materno exclusivo.

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