Por nicolas.satriano

Rio - O impasse entre a Secretaria de Estado de Ambiente e o Ministério Público, sobre um projeto de recuperação das lagoas da Barra e de Jacarepaguá — que já dura um ano — começou a ser desfeito nesta terça-feira. Pelo menos, essa é a expectativa do secretário de Ambiente André Corrêa, que teve também nesta teça à tarde um encontro com representantes do MP: “Estudos complementares que eles solicitaram, como o do impacto sobre a fauna serão feitos. Acho que, num horizonte de 60 dias, a obra deva estar sendo iniciada”.

A secretaria dispõe de R$ 673 milhões para criar uma ilha-parque com os sedimentos que hoje, junto com esgoto e lixo, sufocam as lagoas. O MP, porém, questiona os impactos ambientais do projeto desde julho do ano passado. Limpar as lagoas faz parte das obrigações do Caderno de Encargos dos Jogos Olímpicos de 2016, que prevê a recuperação ambiental da região. “Houve uma boa vontade do Ministério Público no sentido de autorizar que a ilha-parque seja feita”, disse André Corrêa.

O biólogo Moscatelli mostra uma caçamba de lixo na Lagoa da TijucaAntonio Lacerda / EFE

Nesta terça-feira de manhã, antes da reunião, ele foi levado pelo biólogo e ambientalista Mário Moscatelli para uma vistoria na Lagoa da Tijuca. “A lagoa está morrendo. Ela virou uma latrina, uma lata de lixo. Não podemos ficar parados tendo recursos e projeto”, criticou Moscatelli.

Não há mais tempo, entretanto, de que as obras fiquem prontas antes da Olimpíada de 2016. O projeto da criação da ilha-parque foi iniciado em junho do ano passado e tinha previsão de ser concluída em 24 meses, ou seja, antes dos Jogos. Mas com o embargo do MP, a obra está parada desde então e, mesmo que seja retomada agora, o prazo não será cumprido.

“Desde a última vez que vim aqui, há 14 anos, a degradação e o assoreamento aumentaram. Já tenho os recursos, licitação feita, empresa que venceu a licitação e estou esperançoso em chegar a um acordo definitivo com o MP sobre essas obras”, disse André Corrêa.

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