Governo americano desconhece caso de desaparecimento de professora

Najla, que é de Volta Redonda, está sumida desde o dia 1º de fevereiro, e tentava entrar clandestinamente nos EUA

Por O Dia

Najla da Cunha Salem pretendia recomeçar a vida com o filho nos EUAMaíra Coelho / Agência O Dia

Rio - O sonho da professora de inglês Najla da Cunha Salem, de 43 anos, de morar em Nova York, nos Estados Unidos, virou um pesadelo. Najla, que é de Volta Redonda, está desaparecida desde o dia 1º de fevereiro, quando, segundo testemunhas, tentava entrar, com um grupo agenciado por “coiotes” (guias de imigrantes ilegais), clandestinamente naquele país por uma região desértica no estado americano do Texas.

O Ministério das Relações Exteriores, em nota emitida no fim da tarde desta quarta-feira, afirmou que está tentando confirmar junto a diversos consulados informações de que Najla teria morrido durante a travessia.

O último contato dela foi um telefonema dado ao namorado, um brasileiro de nome Dag, de 41 anos, que mora em Nova York e tem visto permanente. Na ligação, ela disse que já estava em solo americano. Najla contou que se preparava para caminhar cerca de 20 quilômetros pelo deserto e que iria encontrar o namorado em breve. A ligação foi feita da cidade de Mc Allen, no Texas.

Na última segunda-feira, entretanto, Dag telefonou para o tio dela, Luiz Antônio da Cunha, 60 anos, de Barra Mansa, informando que um dos integrantes do grupo havia ligado para ele, garantindo que Najla tinha sofrido uma parada cardíaca e que o corpo dela teria sido deixado para trás no deserto.

"Infelizmente o tempo está passando e não temos notícia alguma mais”, lamentou Luiz Antônio. “A cada minuto nossa angústia e aflição só aumentam. Mas tenho muita esperança de que minha filha esteja ainda viva. Ela não merece a morte só porque quer ser feliz ao lado do namorado e do filho dela (Felipe, 12 anos, que está em Nova York com Dag desde 7 de novembro de 2014), lamentou a mãe de Najla, Gilda, 62 anos.

Felipe, fruto de um relacionamento de Najla com um outro homem, do Sul do Brasil, entrou legalmente nos EUA, pois, como nasceu lá, tem dupla nacionalidade. Ele conseguiu autorização para viajar sozinho. Ontem, a família acionou a Justiça para tentar a liberação do voo de volta ao Brasil. No Fórum de Barra Mansa, Gilda foi informado pela Vara da Infância e Juventude que não deverá haver obstáculos para o retorno do menino ao Brasil, o que deve ocorrer nos próximos dias.

A irmã%2C a mãe e o tio recorreram ao Itamaraty%2C que fez consultas junto aos EUA. Há informações que Najla teria morrido ao atravessar o desertoMaíra Coelho / Agência O Dia

Gilda garantiu que Najla não tinha problemas de saúde, a não ser pressão arterial baixa. Luiz Antônio, contudo, teme que ela tenha ficado com a saúde debilitada por conta da tensão.

Governo americano diz não ter conhecimento do caso

O Ministério das Relações Exteriores garantiu que desde o comunicado da família sobre o desaparecimento, na terça-feira, os consulados brasileiros em Houston, Miami e Nova York estão empenhados na busca de informações sobre o paradeiro de Najla junto às autoridades americanas.

“Até o momento as referidas autoridades não confirmaram ter conhecimento do caso”, diz, em nota.

A avó de Felipe espera que o neto volte até sábado, quando ele fará aniversário: “Seria um alento diante desse sofrimento”.

Amigas de Najla temem que a professora, descrita por elas como bonita e de corpo malhado, tenha caído nas mãos de exploradores sexuais na fronteira. “Estamos fazendo uma corrente de orações para que ela não tenha morrido e nem se tornado escrava sexual. Sabemos que ela foi parar numa região muito hostil, terrível”, disse, emocionada, a amiga Franciete Lemos Ávila, de 25 anos.

O preço da travessia

Najla tinha sido deportada dos EUA há dez anos, onde viveu dois anos ilegalmente. Há seis anos, tentou novamente ir morar lá, também de forma clandestina, mas foi detida no aeroporto de Nova York e deportada para o Brasil.

Segundo Nárrida Salem, 44, irmã de Najla, a brasileira partiu para o México, contra a vontade dos parentes, no dia 21 de novembro. “Em uma de suas ligações, ela disse que esperava o melhor momento para entrar em território americano”, comentou. Nárrida diz que o maior temor da família é que a professora de inglês tenha morrido e seu corpo tenha sido enterrado como indigente.

Professora de inglês%2C Najla Salem fez o último contato com o namorado no dia 1º de fevereiro%3B ele recebeu informação de que ela teria morrido ao fazer a travessia Reprodução Facebook

Os parentes contam que, ainda no Brasil, Najla teria pago U$ 20 mil (cerca de R$ 57,2 mil pela cotação de ontem) a um agenciador de coiotes, que seria de Minas Gerais. Essa pessoa, porém, não teria repassado a quantia ao guia combinado e, por isso, teria sido morta. “Essa informação foi dado ao namorado de Najla por outro suposto agenciador de coiotes, que exigiu mais U$ 12 mil (R$ 34,3 mil), alegando que ela estava detida por guias clandestinos”, comentou Luiz Antônio.

O tio de Najla disse que espera que agentes da Polícia Federal brasileira e também as autoridades americanas façam o rastreamento das ligações efetuadas pela sobrinha: “Ela levou um celular. E do aparelho fez muitas ligações para nós e amigos aqui no Brasil e nos Estados Unidos. Acho que a polícia pode montar um quebra-cabeça a partir disso”.

A PF realizou a Operação Coiote na terça-feira passada para desarticular a quadrilha que agia no Brasil e nos EUA promovendo a imigração ilegal de brasileiros. Dos seis mandados de prisão preventiva, foram cumpridos cinco, sendo três em Goiás e dois em Minas Gerais.

Dos cinco mandados de busca e apreensão, foram cumpridos um em Goiás, dois em Minas Gerais e mais um no Rio.

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