Comandante de UPP cancela folia de moradores no Complexo da Penha

Coordenadoria de Polícia Pacificadora informou que episódios de confrontos na comunidade foram o motivo do cancelamento

Por O Dia

Rio - Para moradores e comerciantes do Parque Proletário, no Complexo da Penha, a folia não vai acontecer. O Carnaval da comunidade foi cancelado pelo comandante da UPP local, capitão Ricardo Alves, sob o argumento de que há risco de violência.

Segundo os comerciantes, em uma reunião há 20 dias, ficou tudo combinado para a festa de Momo, mas a morte do mototaxista Diego da Costa Algarves, de 22 anos, no domingo, mudou os planos do comandante.

Nesta quinta-feira tarde, os moradores fizeram um protesto contra a decisão na Praça São Lucas. De acordo com o coordenador do Carnaval do Proletário, Duarte Nuno, a realização de bailes na localidade já tinha aval de vários órgãos.

“Já estava tudo autorizado pela UPP, Região Administrativa da Penha, Corpo de Bombeiros e delegacia da área. Acredito que a decisão seja uma represália à manifestação feita pelos moradores após a morte do mototaxista. Nós da comunidade não temos culpa de nada”, criticou Nuno. Diego foi morto com tiro pelas costas, disparado por um PM da UPP, em uma ação que o secretário de Segurança José Mariano Beltrame classificou de “desastrosa”.

Segundo Duarte Nuno, muitos comerciantes fizeram dívidas em cartões de crédito, estocando produtos para serem vendidos durante os quatro dias de festa, tradicional na favela. “Agora, eles estão desesperados.”

Confrontos foram o motivo

O DIA tentou conversar com o capitão Ricardo Alves, mas ele não atendeu as ligações. Em nota, a Coordenadoria de Polícia Pacificadora informou que “devido aos recentes episódios de confrontos na comunidade e para garantir a segurança de moradores, o comando da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Parque Proletário optou pela não realização do evento.”?

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