MP ainda não foi notificado sobre decisão de absolver Thor Batista

Empresário e herdeiro de Eike, o jovem havia sido condenado por atropelamento e morte do ciclista Wanderson dos Santos

Por O Dia

Rio - Por dois votos a um, Thor Batista, 24 anos, filho do empresário Eike Batista, foi absolvido nesta quinta-feira, por uma das Câmaras Criminais do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) no processo sobre o atropelamento e morte do ciclista Wanderson Pereira dos Santos, em março de 2012. O Ministério Público (MP), segundo sua assessoria de imprensa, não havia sido notificado da decisão até a noite de para decidir se recorreria.

Um dos responsáveis pela absolvição de Thor, o desembargador Paulo de Oliveira Lanzellotti Baldez afirmou que a ação tinha provas “contaminadas de dúvidas”. O outro desembargador que assinou a sentença, Luiz Felipe Haddad, concordou com o parecer. Os dois foram contrários ao relator do caso, Cairo Ítalo David, que defendia a manutenção da condenação de 2013: multa de R$ 1 milhão, perda da carteira de motorista e a prestação de serviços comunitários. No processo, o MP acusou o filho de Eike por homicídio culposo (quando não há intenção de matar).

12/09/2012 - Thor Batista tinha sido condenado em junho de 2013 por homicídio culposoCarlos Moraes / Agência O Dia

“Dedico essa vitória ao (ex-ministro) Marcio Thomas Bastos, que trabalhou muito neste caso, mas que infelizmente não viveu para vê-la”, lamentou um dos advogados de Thor, Ary Litman Bergher. Bastos morreu em novembro.

Na sentença da juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza, rejeitada nesta quinta-feira, Thor teria que cumprir a pena em uma entidade de “recuperação vítimas de acidentes de trânsito” e o valor da multa estipulada seria entregue à uma instituição semelhante.

Ainda na sentença anterior, a juíza afirmava que sua decisão se pautava em “provas técnicas”. “Obtém-se a certeza, necessária à condenação de Thor, que no dia dos fatos, criou riscos proibidos que ensejaram o acidente e a consequente morte da vítima”, escreveu ela.

A decisão desta quinta, porém, atendeu ao pedido da defesa para a anulação do caso e a absolvição do herdeiro de Eike. “O caso passou pelo escrutínio da Justiça. Não há mais a dizer”, disse Ary Bergher.

Últimas de Rio De Janeiro