Às vésperas dos festejos dos 450 anos do Rio, Museu Histórico está esquecido

Imóvel localizado no Parque da Cidade, na Gávea, na Zona Sul, está fechado para obras desde 2011

Por O Dia

Rio - Em plena comemoração dos 450 anos do Rio, o único museu que conta a história da fundação da Cidade Maravilhosa está aos pedaços. Pouco conhecido, o Museu Histórico da Cidade, no Parque da Cidade, na Gávea, na Zona Sul, está fechado para obras desde 2011.

Construído no Século 19%2C o prédio%2C em obras desde 2011%2C está com andaimes na fachadaPaulo Araújo / Agência O Dia

A conclusão, segundo a placa da prefeitura, em frente ao prédio, já apagada, seria em um ano. Os canteiros de obras são da construtora Studio G, que recebeu o repasse de R$ 3,9 milhões para realizar o serviço.

A prefeitura alega que houve atraso, mas a obra continua. Na quinta-feira não havia, no entanto, nenhum operário trabalhando ou ferramentas e equipamentos. Um funcionário que trabalha no parque desde 2013, que pediu para não ser identificado, disse que nunca viu obra no local.

Enquanto isso, um trono de Dom João VI, esculturas de Mestre Valentim, gravuras de Debret, pinturas do Século 19, mobiliário e a aquarela tombada ‘Vista interior da Praça do Commercio’, além de 20 mil peças que contam a história do Rio, sofrem a ação do tempo. No casarão do Século 19, onde moraram Dona Catarina de Sena e o Marquês de São Vicente, janelas estão quebradas, tapadas com madeira, a pintura está descascada e há estruturas apoiadas em andaimes.

O museu foi criado pelo prefeito Pedro Ernesto em 1934, para preservar a memória da cidade, com base no decreto 1.641, de 1914. Ele determinava “conservar em boa guarda, devidamente catalogadas as peças, livros raros e objetos de grande valia para o estudo da História da Cidade”.

O museu tinha também quatro maquetes de Antonio José de Oliveira, do Morro Cara de Cão, na Urca, do Morro do Castelo, da Ilha de Villegaignon e da aldeia dos Tupinambás, hoje amontoadas no posto de atendimento do parque.

No meio das três casas verdes de obras, espreme-se uma rara Fonte Wallace, em bronze, das poucas obras de arte do francês Charles Lebourg, projetada em 1872. Cercando o Museu, três construções, também fechadas e deterioradas, compõem o complexo.

Uma delas é a capela de São João Batista, de 1920. Nos anos 1970, o artista Carlos Bastos pintou painéis com personalidades como Gal Costa, Jorge Amado, Caetano Veloso, o general Garrastazu Médici e o ex-jogador Pelé. A capela foi dessacralizada pela Igreja.

Na reforma, anunciada em maio de 2011, estavam previstos a pintura das fachadas, reparos em paredes e pisos rachados, a revisão da estrutura em concreto armado e a impermeabilização de lajes das três construções. Os detalhes talhados em pedra e as pinturas ornamentais também deveriam ter passado por reparos. 

Promessa de reabertura para 2016

Passados quatro anos do início das obras de reforma do museu, o secretário municipal de Cultura, Marcelo Calero, garantiu que ele será reaberto ao público até março de 2016. Segundo o secretário, a reforma do casarão está atrasada devido às complexidades do prédio histórico.

“Estamos analisando o que já foi feito e o que ainda falta para a sua conclusão. Não dá para fazer uma obra rápida em um prédio histórico porque ele é tombado. Sua restauração tem que respeitar a configuração do imóvel”, disse. O secretário também declarou que não pretende mudar a empresa responsável.

O professor Marcio Ferreira Rangel, da UniRio, que fez sua tese de mestrado sobre o museu, defende a mudança do acervo para uma região mais acessível ao público. “Ele já foi um dos museus mais visitados da cidade. Recebia ônibus escolares, mas foi sucateado. Seu acervo é rico e ele poderia ser mais perto do Centro.”

Moradias são problema no parque

Apesar de ser uma área de conservação, com 49 hectares, 12 famílias moram no Parque da Cidade. Isto impede que ele feche às 17h, conforme dita o seu regulamento. Os moradores estacionam os carros em locais de preservação, puxam fiação elétrica pela mata e emitem barulhos de carros, perturbando a fauna.

O local também serve de passagem de moradores da Rocinha. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente disse que eles são ex-funcionários da Fundação Parques e Jardins e há uma questão judicial envolvida no caso.

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