Carioca cria bandeiras para cada um dos bairros da cidade

Autor de livro sobre a história do Rio de Janeiro sugere flâmulas para identificar 161 lugares

Por O Dia

Rio - Foi a curiosidade de um adolescente, o filho Thales, então com 14 anos, que fez com que o professor da área de saúde Robson Letiere iniciasse uma pesquisa em busca da história de cada um dos 161 bairros do Rio de Janeiro há cinco anos.

Inicialmente, o pai buscava responder ao menino, apenas, qual era a origem do nome do bairro do Jacaré, na Zona Norte, onde a família mora. O trabalho se transformou em hobby e, no ano em que a Cidade Maravilhosa celebra 450 anos, Robson se orgulha de responder a esta e muitas outras questões dos cariocas no livro ‘Rio Bairro — De A a Z’.

Em paralelo, ele milita por outra causa abraçada durante os estudos: depois de descobrir que apenas Cordovil possuía uma bandeira oficial, Robson desenvolveu flâmulas para cada um dos bairros da cidade, com suas devidas referências históricas, e sonha vê-las reconhecidas pela prefeitura.

Robson sonha em ver as bandeiras reconhecidas pela prefeitura ou câmara dos vereadores. Atualmente%2C só Cordovil tem o símbolo oficialCarlo Wrede / Agência O Dia

“Foi uma busca árdua, que incluiu idas a sebos atrás de livros, visitas a órgãos públicos em busca de documentos oficiais e incursões aos lugares para colher histórias e peculiaridades”, conta o professor.

O envolvimento foi tão grande que Robson fez até cursos de artes gráficas para desenvolver as bandeiras. Ele sugere também que outros artistas poderiam colaborar para desenvolver os símbolos, que poderiam passar pelo crivo do voto popular.

“Seria legal se os territórios pudessem ser identificados através de suas bandeiras, da Zona Norte à Zona Oeste. Facilitaria a vida dos motoristas. E eu ficaria extremamente orgulhoso. A identificação dos moradores com os bairros em que nasceram e cresceram, por si só, é algo tipicamente carioca”, explica.

O projeto de Letiere está no Concurso de Ação Local do Comitê Rio450. “Já entreguei o livro ao prefeito. Sonho em vê-lo produzido em larga escala. O carioca ainda conhece pouco sobre a formação da cidade”, disse o pesquisador, que já realizou exposições das bandeiras em locais públicos, como o Largo da Carioca.

“É fundamental ter o apoio popular, preciso do envolvimento de todos. Porém, independentemente de até onde eu consiga chegar com esse projeto, ter conhecido locais improváveis da cidade já foi um grande prêmio para mim”, pondera Letieri.

Oficialização por decreto ou projeto de lei

Existem duas possibilidades de se oficializar as bandeiras dos bairros cariocas: por decreto-lei assinado pelo prefeito ou por meio de projetos apresentados e votados por vereadores na Câmara Municipal, como aconteceu em 2002 com o bairro de Cordovil, na Zona Norte, após movimento da associação de moradores do local. “Após votação, o prefeito poderia oficializá-las. Por abranger todas as regiões, a campanha seria um sucesso na internet”, aposta Robson.

Mesmo sem um lançamento oficial, o livro ‘Rio Bairros — de A a Z’ já vendeu 250 cópias produzidas de forma caseira e comercializadas durante as exposições das bandeiras. “Detalho o surgimento, a origem e as curiosidades de bairros que vão desde o Anil (na Zona Oeste) até Zumbi (na Ilha do Governador). Aonde chegamos com os livros vendemos os lotes inteiros”, diz o professor, orgulhoso do trabalho independente.

Porém, a publicação espera o interesse de alguma editora que a lance de forma oficial, em larga escala. Hoje com 19 anos, o filho dele, Thales, conhece bem a origem dos nomes de vários bairros e suas peculiaridades. “Meu filho me ajudou nos trabalhos de pesquisa e visita aos bairros. Agora que é vestibulando, ele vai concorrer a uma vaga no curso de História. Tem como eu não me orgulhar? Além de tudo, contribuí para a escolha profissional do meu filho”, diz.

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