Juiz admite que piano apreendido de Eike está em seu condomínio

Em meio aos fatos e declarações polêmicas do juiz sobre o empresário, Procuradoria Geral da República e OAB pedem o afastamento do magistrado do caso

Por O Dia

Rio - A informação de que o piano apreendido de Eike Batista estaria no condomínio do juiz Flávio Roberto de Souza, titular da 3ª Vara Criminal da Justiça Federal do Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca, foi confirmada pelo próprio magistrado nesta quarta-feira. Souza disse que o instrumento foi 'guardado' no apartamento de um vizinho, com a mesma justificativa dada sobre os carros que foram levados para a sua garagem: falta de local para deixar - e conservar - os bens apreendidos. 

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A confirmação foi dada para a Folha de São Paulo nesta tarde. Na entrevista, o magistrado afirma ter nomeado um vizinho de "confiança" como fiel depositário do piano. Ele ataca ainda a defesa de Eike: "Se os advogados comparecerem à Vara vão poder ver quem é o fiel depositário do piano", disparou. 

Flávia Sampaio lemrou do piano apreendido pela Polícia FederalReprodução Instragram

Já o advogado de Eike, Sérgio Bermudes, que já havia dito ao DIA ter recebido informações - não confirmadas - de que o piano estava em poder do juiz, preferiu não retrucar. Ele mantém sua declaração de que ainda confirmará o fato e pretende tomar as medidas cabíveis para afastar o magistrado do caso. 

"Não sabemos ainda se isso (de que o piano está na casa de um vizinho) é verdade", afirmou Bermudes. Sobre a crítica do magistrado de que a defesa não tentou ter acesso às informações na Vara, o advogado foi categórico: "Essa afirmação é risível se não fosse estúpida. Iss é uma loucura", completou.

Já na terça-feira, a ex-mulher de Eike, Flávia Sampaio, publicou em seu Instagram uma foto do piano e questionou a ação da Polícia Federal, em cumprimento à ordem judicial: "Será pelo mesmo zelo que quiseram tanto tirar um piano de casa (foram 3 x na casa para montar a engenharia de retirada) e levar para.., o mesmo endereco onde estao os carros??! #equipezelosa #agradecimento #quantoamor", escreveu.

Bermudes havia dito que recebeu diversas informações de que o piano estaria em um outro apartamento do juiz, no condomínio Parque das Rosas, na Barra da Tijuca. Além do instrumento, o juiz guardou três automóveis de Eike Batista, entre eles o Porsche Cayenne, automóvel com o qual foi flagrado dirigindo nesta terça-feira. 

Porsche estava estacionado na vaga 239 do Edifício Liberty Place%2C do condomínio Parque das Rosas%2C na Barra da TijucaDivulgação

"Recebemos mais de uma informação de que o piano apreendido, junto com outros bens de Eike, foi levado a um dos apartamentos do juiz. Ele (magistrado) é um tresloucado. Isso ainda está pendente de confirmação, mas há suspeitas. O piano poderia estar em outro apartamento do juiz, no mesmo condomínio, no Parque das Rosas, na Barra", disse o advogado ao DIA.

MPF e OAB pedem afastamento de juiz

Em meio à polêmica envolvendo o juiz, a Procuradoria Regional da República da 2ª Região (Rio) expediu manifestação à Justiça solicitando o afastamento do juiz Flávio Roberto de Souza e a anulação de todas as suas decisões nos processos criminais contra o empresário Eike Batista.

"As recentes declarações, somadas à postura injustificável de uso do bens acautelados na Justiça, dispensam maiores comentários do MP Federal, pois são indefensáveis e acarretam a inevitável revaloração sobre a condução da ação penal”, afirma a procuradora regional Silvana Batini, autora do parecer. “O reconhecimento da suspeição deve se estender também com relação às outras ações contra o mesmo réu", declarou ela. 

A Ordem dos Advogados do Brasil também se posicionou sobre o caso e pediu o afastamento do juiz que julga o processo em que Eike Batista é reu. Já o advogado do empresário, Sérgio ?Bermudes, fará uma representação junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em Brasília, para que a conduta do juiz seja investigada, conforme já havia sido informado.

Em seu entendimento ele poderá ainda ser removido do cargo por ter agido de forma contrária à lei. "O que ele fez foi uma afronta à lei. Os bens têm que estar com a Justiça, não com o juiz", declarou o advogado logo após tomar conhecimento do caso.


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