Homem que esfaqueou a própria mulher pode ter mandado matar o cunhado

Crimes ocorreram na Baixada. Adriano Peres da Silva Azarias era visto como um anjo pelos familiares das vítimas

Por O Dia

Rio - Adriano Peres da Silva Azarias, de 29 anos, era visto como um homem calmo, afável, carinhoso e envolvente. A família de Mileide Rocha dos Santos, de 23, não acreditava quando ela dizia que o marido tinha duas personalidades: uma na rua e outra em casa. Ao assassinar a mulher com 27 facadas, em 2 de novembro passado, Adriano não só revelou o verdadeiro temperamento, mas despertou na família da vítima uma forte suspeita: de que ele também foi o mandante do assassinato de Reivan Rocha dos Santos, de 20, irmão de Mileide, morto seis meses antes.

Mileide e os parentes moravam próximos, na Posse, em Nova Iguaçu. Há cerca de um ano, Reivan passou na porta da casa da irmã, na Estrada Luís de Lemos, e ouviu os gritos dela. Ao invadir a residência, presenciou Adriano agredindo a mulher.

Mileide Rocha%2C de 23 anos%2C chegou a fazer cirurgia%2C mas não resistiuJoão Laet / Agência O Dia

“Meu filho entrou em luta corporal com ele e disse que bateria mais ainda se soubesse de novas agressões. Adriano se desculpou, disse que Mileide o fez perder a cabeça, e jurou que nunca mais levantaria a mão para ela. A maioria de nós acreditava que ele era um anjo, e ela, a grande provocadora. Poucos meses depois, dois homens numa moto pararam em frente ao bar onde Reivan estava com um amigo e os assassinaram a tiros. Agora que sabemos como Adriano era dissimulado, suspeitamos que tenha sido o mandante”, revela a mãe, Rosângela Rocha dos Santos.

Rosângela Rocha dos Santos%2C mãe de Mileide%2C se emociona com o álbum de fotos da filha%2C que foi assassinada João Laet / Agência O Dia

A desconfiança da família já foi comunicada à Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense, que investiga os dois homicídios. A prisão preventiva de Adriano foi decretada, com base na morte de Mileide, mas o assassino está desaparecido. Ele foi visto pela última vez poucas horas depois do crime. “Adriano foi na empresa onde trabalhava e pediu para ser demitido. Contou que Mileide tinha sido esfaqueada e que ele precisava cuidar dela”, conta Rosângela.

NOVAS AGRESSÕES

Em 29 de outubro de 2014, quatro dias antes de ser morta, novas agressões. Mileide registrou queixa na 58ª DP (Posse) e na Delegacia da Mulher (Deam) de Nova Iguaçu, porque Adriano tentara matá-la por esganadura. A jovem queria que a polícia fosse em sua casa expulsar o marido, mas tanto os policiais civis quanto a PM, também acionada, afirmaram que só poderiam fazer isso com ordem judicial. Não deu tempo.

“Nós saímos da delegacia na manhã do dia 30. Pedi tanto que minha filha fosse comigo, mas ela insistiu em ir para a casa dela. Disse que o marido já devia ter saído para o trabalho”, lamentou a mãe.

?Assassino responsabilizava a mulher por ser um homem violento

?A tia Angelita Rocha dos Santos, muito amiga do casal, recebeu um telefonema de Adriano naquele 30 de outubro. “Ele sempre dizia que Mileide era a culpada, pedia perdão pela agressão e jurava que não faria mais aquilo. Eu retruquei que o casamento deles de cinco anos já estava acabado e que era melhor ele ir embora. À noite, Adriano pegou a televisão e o celular que tinha dado de presente à minha sobrinha, pôs algumas roupas numa bolsa e saiu de casa”, relembra Angelita.

A família inteira concorda que Mileide era apaixonada por Adriano, e as lágrimas escorrem pelo rosto de Rosângela quando ela relembra o último dia de vida da filha.

“Num sábado à tarde, minha mãe foi visitá-la. Ela contou que tinha falado com o marido por telefone e que ele voltaria para uma conversa, à noite. Adriano convenceu minha filha a se mudar do bairro, alegando que enquanto estivessem próximos da nossa família, o casamento não daria certo. Foi naquela madrugada que ele a matou”, revolta-se.

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