Polícia ouve PMs suspeitos de atirarem em jovens na Palmeirinha

Depoimentos de policiais envolvidos na morte de Alan Souza Lima, de 15 anos, começam nesta segunda-feira na 30ª DP

Por O Dia

Jovem mostra curativo de ferimento provocado por bala em dia de operação da PM na PalmeirinhaSeverino Silva / Agência O Dia

Rio - Os nove policiais militares envolvidos na morte do jovem Alan Souza Lima, na favela da Palmeirinha, em Honório Gurgel, Alan Souza  no dia 20 de fevereiro, serão ouvidos a partir desta segunda-feira pela Polícia Civil. O primeiro depoimento está previsto para as 13h na 30ª DP (Marechal Hermes).

Mais dois adolescentes que estavam com a Alan também foram baleados. Eles chegaram a filmar parte da operação da PM na comunidade, até o momento em que foram atingidos. O jovem Chauan Jambre Cezário, de 19 anos, levou um tiro no peito, mas conseguiu sobreviver. No dia, a PM alegou que os jovens estavam no meio do confronto e acabaram sendo baleados. No entanto, o vídeo gravado por eles e os próprios relatos das testemunhas desmentem a versão dos policiais. 

As imagens gravadas no celular de Alan mostram os seus dois amigos em uma bicicleta e o momento em que eles ouvem tiros e começam a correr. A gravação chegou a registrar ainda eles caídos no chão, depois de serem baleados, e os gemidos das vítimas.

Na última quinta-feira, Chauan Jambre Cezário prestou depoimento na 30ª DP (Marechal Hermes). "Nasci de novo. O maior presente que eu ganhei é a vida. Sobrevivi a um tiro próximo do coração. Marquei de chamar os amigos para comemorar num sítio meu aniversário", disse Chauan, que completou 20 anos no último sábado. 

A delegada que investiga o caso, Adriana Belém, da 30ª DP (Marechal Hermes) vai ouvir oito praças e um oficial da Polícia Militar que participaram da operação policial na Palmeirinha. De acordo com a delegada, dois policiais assumiram que efetuaram disparos durante a operação, mas não souberam dizer se os tiros acertaram Alan. São eles o soldado Alan de Mila Monteiro e o Segundo Sargento Ricardo Wagner Gomes.

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Após recuperar-se, Chauan, que vende mate na Praia de Ipanema, pretende insistir na realização de um sonho: ser jogador de futebol. Ele tinha teste no Bangu marcado para esta semana, mas teve que adiar a possibilidade de entrar em um clube profissional de futebol ao ser vítima do tiro na comunidade da Zona Norte do Rio. "A esperança não acabou", almeja Chauan.

Defensoria Pública recebe hoje parentes de vítima fatal

A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro recebe nesta segunda-feira, no Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos (Nudedh), no Centro do Rio, familiares de Alan de Souza Lima, vítima fatal na ação policial na Favela da Palmeirinha, no último dia 20. 

Segundo a instituição, os defensores vão prestar assistência jurídica, ouvir dos parentes de Alan de Souza como o fato ocorreu, reunir provas, preparar futura ação indenizatória e acompanhar as investigações policiais. A instituição ofereceu também assistência ao jovem Chauan Jambre Cezário, 19 anos, que foi baleado durante a operação da Polícia Militar na comunidade.






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