Mãe de DG discorda de laudo: 'Meu filho foi morto com um tiro à queima roupa'

Maria de Fátima disse estar feliz pelo filho ter passado da condição de marginal à vítima

Por O Dia

Rio - A mãe do dançarino Douglas Rafael da Silva Pereira, o DG, morto durante uma ação de policiais da UPP Pavão-Pavãozinho em abril de 2014, disse estar aliviada com o fim do inquérito policial da 13ª DP (Ipanema). Apesar disso, Mária de Fátima Silva disse discordar da Perícia da Polícia Civil, como mostrou o RJTV, mesmo com a confirmação de que a bala que matou DG saiu da arma de um policial militar.

"Acho que ele foi plantado ali naquele corredor. Meu filho foi morto com um tiro à queima roupa", afirmou Maria de Fátima.

A mãe de DG contou estar feliz porque o filho "passou da condição de marginal à vítima", mas, pediu que o Ministério Público do Rio (MPRJ) anexe laudo de perito particular contratado por ela às investigações.

DG levou um tiro nas costas durante ação policial no Pavão-PavãozinhoReprodução

PM responderá por homicídio

Nesta terça-feira, laudo da Polícia Civil concluiu que saiu da arma de um policial militar o tiro que matou o dançarino. A informação resultou na abertura de inquérito que indiciou o soldado Walter Saldanha Correa Júnior por homicídio. O delegado Gilberto Ribeiro vai pedir a prisão do PM ao Ministério Público nesta quarta-feira.

Além de Walter, mais seis militares vão responder por falso testemunho e prevaricação. Outros dois PMs foram inocentados no procedimento. De acordo com o laudo da necropsia, o projétil que atingiu DG nas costas entrou de baixo para cima. O tiro destruiu o pulmão e saiu perto do ombro, o que provocou hemorragia interna. O laudo atestou que a causa da morte foi ‘laceração pulmonar decorrente de ferimento transfixante do tórax.’

O dançarino foi ferido, segundo a investigação, quando saltava de uma laje para o beiral de um prédio. Mesmo ferido, ele percorreu uma distância grande, passando sobre telhados de casas, até cair em um corredor nos fundos de uma creche, onde morreu. As fotos dos laudos ainda apontam que a vítima foi encontrada com os documentos no bolso, mas a camisa estava vestida pelo avesso.

Ele também estaria com a peça de roupa e os documentos umedecidos, sinal de que realmente pulou uma caixa d’água que estava com a tampa aberta.

Em depoimento à polícia, o soldado Walter contou que a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) recebeu denúncia de que o chefe do tráfico local, Adauto do Nascimento Gonçalves, o Pitbull, estaria no teleférico. O PM disse que, cerca de 2h30 depois da denúncia, estava em patrulhamento com colegas pela comunidade quando começou um tiroteio com traficantes na quadra de esportes. O grupo contava com nove PMs: três deles entraram num prédio de cinco andares, e os outros seis, ficaram na rua. Entre esses, o soldado Walter Júnior.

Grafiteiros pitaram homenagem a DG em muro da comunidadeHerculano Barreto Filho / Agência O Dia

O soldado Valadão contou em depoimento que, ao voltarem para a sede da UPP, os PMs comentaram sobre a troca de tiros.

"Os soldados D’Águila, Walter e R. Bispo comentaram ter visto um vulto passando do alto do imóvel, onde os marginais se encontravam, para o outro lado do muro. E o policial Walter comentou: ‘Pô, Valadão, eu acho que acertei aquele ganso’”. De acordo com as investigações, o ‘ganso’ a que o soldado se referiu seria a vítima.


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