Caçada ao traficante Playboy  termina com um suspeito morto

Um PM foi baleado de raspão no pescoço. Incursões ficaram concentradas nas favelas da Pedreira e da Quitanda

Por O Dia

Rio -  Após O DIA denunciar que o traficante Celso Pinheiro Pimenta, o Playboy, fez uma festa de arromba no último fim de semana para comemorar o seu aniversário de 33 anos, as polícias Civil e Militar montaram nesta quarta-feira duas operações na região dos complexos da Pedreira, dominado pelo chefão da Amigos dos Amigos (ADA), e do Chapadão, sob controle da facção rival Comando Vermelho (CV).

No balanço das ações, um policial militar levou tiro no pescoço, um grupo de PMs do 41º BPM (Irajá) ficou encurralado na favela e foi salvo pela Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), um suspeito morreu e dois corpos foram encontrados dentro de porta-malas. Porém, Playboy — que já deu entrevista à imprensa, ordenou a invasão de vila olímpica e de depósito de motos do Detran e falou em deixar o crime com a ONG AfroReggae — não foi encontrado.

Pela manhã, agentes da Core e da 39ª DP (Pavuna), além de policiais militares, realizam uma operação no Complexo da Pedreira. As incursões ficaram concentradas nas favelas da Pedreira e da Quitanda, quartéis-generais de Playboy.

Policiais civis em operação na Pedreira%2C em Costa Barros%2C mês passado%3A Playboy não foi localizado nesta quarta-feiraSeverino Silva

A operação contou com a participação de 180 policiais e teve como base inquéritos instaurados pela Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC). Além do tráfico, a quadrilha de Playboy ataca motoristas de caminhões, principalmente na Avenida Brasil, a Rodovia Presidente Dutra e a Via Light.

Ainda de manhã, segundo informações da Delegacia de Homicídios da Capital, foram encontrados corpos de dois homens não identificados no porta-malas de um Citroën branco roubado, que estava estacionado próximo à estação Costa Barros da Supervia. Foi realizada perícia no local e digitais dos cadáveres deverão esclarecer a identidade deles, após exame no Instituto Médico-Legal.

Por volta das 16h, após receber a informação de que um dos chefões do tráfico no Rio estaria escondido no Chapadão, equipe do Serviço Reservado (P-2) do 41º BPM foi ao local, onde entrou em confronto com dois homens armados em uma motocicleta. Após balearem Ian Ferreira Alves dos Santos, de 19 anos, que morreu a caminho do hospital, os agentes foram encurralados por traficantes fortemente armados. Um blindado da Core socorreu os PMs.

Neste confronto, um policial também levou um tiro de raspão no pescoço, foi medicado e não corre risco de vida. Foram apreendidas uma pistola e a moto roubada que estava com Ian. Os casos foram registrados na 39ª DP (Pavuna).

Aniversário dura dois dias

A festa pelos 33 anos de Playboy no último fim de semana lembrou os tempos em que bandidos mandavam e desmandavam em todas as comunidades cariocas. O baile funk aconteceu sábado e domingo, e centenas de pessoas dançaram ao som de DJs e pagodeiros debaixo da tenda montada no Morro da Pedreira.

Centenas de pessoas dançaram ao som de DJs e pagodeiros debaixo da tenda montada na PedreiraReprodução

No fundo do ‘salão de festas do criminoso’, uma parede exibia uma pintura em homenagem a Jorge Araújo Vieira, o Bebezão, comparsa de Playboy que foi morto em 2013. O convite da festança na comunidade foi feito pelas redes sociais e em panfletos, que anunciavam a presença da equipe de som Furacão 2000. No entanto, a empresa dirigida por Rômulo Costa negou qualquer participação no ‘evento’ e informou que os equipamentos e DJs divulgados na internet não são da Furacão 2000.

Um dia depois da denúncia do DIA, o secretário de Segurança José Mariano Beltrame deu a entender que não tem pressa de prender Playboy. “Tenho certeza que ele vai ser preso, vai chegar o momento dele”, minimizou.

A prisão de Playboy vale R$ 50 mil a quem denunciá-lo ao Disque-Denúncia (2253-1177).

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