Normalistas fazem ato de apoio à aluna de 16 anos atacada em ônibus

Estudantes e bloco das Mulheres Rodadas farão protesto domingo

Por O Dia

Rio -  Depois que uma estudante de 16 anos foi atacada por um homem dentro de um ônibus da linha 309, quando ia para escola na última terça, suas colegas normalistas do Colégio estadual Ignácio Azevedo do Amaral, no Jardim Botânico, Zona Sul da cidade, criaram uma campanha contra o assédio de que são vítimas diariamente.

Com frases como “Nossa roupa é uniforme, não fetiche sexual”, as estudantes chamam a atenção para a violência que sofrem. “Todo dia tem assédio. No ônibus, no metrô”, contou K.B., de 17 anos. A mobilização começou quando K.B. publicou uma foto no Facebook de uniforme acompanhada da legenda “Não importa o tamanho da minha saia, não importa a roupa que estou usando #Eumereçorespeito

Alunas do Colégio Ignácio de Amaral seguram cartazes%3A ‘Nossa roupa é uniforme%2C não fetiche sexual’Fernando Souza

“Queria apoiar a menina que foi assediada. No outro dia, toda a escola estava apoiando”, comemorou. Ela e amigas começaram, então, a organizar um protesto juntamente com o bloco das Mulheres Rodadas, para o próximo domingo, Dia Internacional da Mulher, às 14h no Posto 4, em Copacabana.

Questionadas se a mudança de uniforme seria uma solução, as alunas foram enfáticas. “Quem tem que mudar é a sociedade, não o nosso uniforme”, declarou M.L.C, 14. A estudante Raissa Moraes, diretora de Mulheres da Associação dos Estudantes Secundaristas do Estado do Rio de Janeiro (AERJ) acredita que o tema tem que ser debatido. “As pessoas acham que cantada não é assédio”.

Ipea: Rio lidera núcleos para mulher

A volta para casa não sai da cabeça de duas jovens desde o último dia 23 de janeiro. J, de 22 anos, e T, de 24, foram estupradas por um homem armado que as atacou em Seropédica, na Baixada Fluminense. Elas fazem parte das estatísticas da violência de gênero. Por outro lado, cresce o número de unidades de atendimento às vítimas. O Rio lidera a lista, com 279 núcleos, revelou pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo Instituto de Pesquisa e Econômica Aplicada (Ipea).

“A gente passou por uma rua escura do Centro, por volta das 22h, foi quando ele mostrou a arma e nos levou para uma mata”, relata J. Foram quase duas horas andando por uma estrada de terra. Estudantes da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), as vítimas foram levadas a uma mata. “Ele, então me obrigou a fazer sexo oral”, disse T, com a voz embargada. Em seguida, J também foi estuprada.
Um dos autores do levantamento, que mede o impacto da Lei Maria da Penha na diminuição da violência contra a mulher, o diretor do Ipea Daniel Cerqueira explica que os registros continuam crescendo, mas em um ritmo menor.

Especializada reduz casos

“As regiões em que foram criadas unidades de atendimento à mulher, como delegacias, abrigos e juizados especiais, tiveram redução desses casos”, concluiu Cerqueira. “Porém, com o tempo a tendência é que os casos diminuam porque esses núcleos inibem o agressor”, afirma.

Das formas de violência, a que tem maior percentual de mulheres vítimas é a violência sexual. Os delitos relacionados a essa esfera da vitimização são o estupro e a tentativa de estupro, que em 2013 registraram juntos no país 6.501 vítimas, entre homens e mulheres. Foram 4.871 mulheres vítimas de estupro (82,8%) e 556 mulheres vítimas de tentativa de estupro (90,3%). A violência física também se destaca por agregar o maior número absoluto de vítimas, 98.314 ao todo.

Colaborou Flora Castro


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