Duas pessoas morreram após operação da PM no Engenho da Rainha

Morte de Leon Rodrigues de Lima foi confirmada na manhã desta sexta. No final da noite desta quinta, moradores fizeram protesto contra a morte de Marcos Santos Silva, de 19 anos

Por O Dia

Rio - A operação realizada pela Polícia Militar no Morro do Engenho da Rainha, no bairro de mesmo nome, na Zona Norte da cidade, nesta quinta-feira, terminou com duas pessoas mortas. Na manhã desta sexta-feira, a Secretaria Municipal de Saúde confirmou a morte de Leon Rodrigues de Lima, 23, que havia sido levado em estado gravíssimo para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, após ser baleado no abdome. Segundo a secretaria, o rapaz não resistiu e morreu na mesa de cirurgia da unidade.

Outro que morreu durante operação do 3º BPM (Méier), na tarde desta quinta-feira, no Morro do Engenho da Rainha foi Marcos Santos Silva, de 19 anos. O rapaz até chegou a ser levado para o Salgado Filho, mas não resistiu aos ferimentos e morreu assim que chegou à unidade. Por volta das 10h desta sexta-feira, os corpos de Marcos e Leon foram levados para o Instituto Médico Legal (IML). Ainda não se sabe quando será o sepultamento dos jovens.

No fim da noite desta quinta-feira, a Polícia Militar terminou com um protesto de moradores do Morro do Engenho da Rainha. Os manifestantes fecharam a Rua João Ribeiro, em Pilares, bairro vizinho, para protestar contra a morte de Marcos. Para tentar dispersar o protesto, os PMs usaram bombas de efeito moral. Ninguém ficou ferido ou foi preso. A sogra de Marcos, que preferiu não se identificar, disse que o rapaz trabalhava ultimamente como ajudante de obras.

"O Marcos estava desempregado, sem trabalhar com carteira assinada, mas estava no momento fazendo bico como ajudante de obras. Ele estava feliz porque tinha conseguido uma casinha para morar com a minha filha. A mãe dele tinha ido ao shopping hoje pagar as compras que tinha feito para eles. Ela tem o carnê da moto que comprou para ele e a nota fiscal do celular que sumiu quando ele foi ferido", afirmou.

Segundo a PM, Marcos e Leon estavam com duas pistolas, porém a família de Marcos afirma que as armas foram ‘plantadas’ por PMs para incriminar os dois feridos. “Marcos trabalhava como mototaxista. A mãe dele estava ajudando-o a pagar a moto. Ele estava morando com uma menina. As armas foram colocadas pelos PMs”, disse a tia do rapaz, Sara dos Santos Silva.

Ainda de acordo com Sara, os PMs chegaram atirando na comunidade dominada pelo Comando Vermelho (CV). “O Marcos foi atingido quando foi se esconder na padaria. Os policiais tiraram a roupa dele e ele ficou só de sunga. Conseguimos recuperar a bermuda, boné e chinelo, que estão sujos de sangue”, contou Sara. Na incursão, um suspeito foi preso com drogas e radiotransmissor.

Últimas de Rio De Janeiro