Crise na Rádio Nacional se agrava e programas ao vivo são substituídos

EBC disse que resolverá o problema

Por O Dia

Rio - A falta de condições de trabalho pode silenciar a Rádio Nacional, que já recebeu em seus estúdios nomes da música brasileira como Cauby Peixoto, Dalva de Oliveira e Francisco Alves. Os funcionários acusam a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), dona da emissora, de não cumprir normas do Ministério do Trabalho (MT). Para não encerrar as atividades, os programas ao vivo foram substituídos desde quarta-feira por músicas gravadas. A EBC, por sua vez, disse que está solucionando os problemas.

Há cerca de dois anos, a rádio funciona de forma provisória e precária no prédio da TV Brasil, também da EBC, na Lapa, que já passava por dificuldades. Tanto os funcionários da TV quanto da rádio relatam atraso de salários, banheiros interditados, falta de bebedouros, extintores de incêndio vencidos e ar-condicionados quebrados desde novembro. A Rádio MEC, que ficava preto da Central, foi para a Rua Gomes Freire.

Rádio funciona de forma provisória %2C há dois anos%2C no prédio da TV Brasil%2C na Lapa. Salários estão atrasados Divulgação

“No estúdio a temperatura chega a mais de 35 graus num espaço sem janela e coberto por espuma acústica”, disse uma funcionária, que prefere não se identificar e está sem salário há dois meses. Os mesmos problemas já existiam na sede, próximo a Região Portuária.

O Sindicato dos Radialistas do Rio notificou a EBC, nesta quinta-feira, por não cumprir normas do Ministério do Trabalho. De acordo com Miguel Walter da Costa, presidente da entidade sindical, a empresa pública não está respeitando a norma do Ministério, na qual prevê condições mínimas de conforto térmico.

“A irregularidade vem acarretando prejuízos a saúde dos trabalhadores por causa do ar-condicionado que não está funcionando”, informou Costa. O Sindicato dos Jornalistas havia entregue um relatório ao MP sobre a precarização de diversos de veículos de comunicação, entre eles a Rádio Nacional.

Os funcionários da rádio esperam voltar o quanto antes para a sede, que fica nos três últimos pavimentos do histórico Edifício A Noite, na Praça Mauá. O imóvel de 22 andares e 102 metros de altura é o primeiro arranha-céus do país e foi tombado em abril de 2013.

Refrigeração normalizada

Procurada, a EBC informou que uma pane afetou os sistemas de refrigeração das instalações da Rua Gomes Freire, que se encontram em fase de manutenção, e que deverá ser restabelecido completamente até este sábado.

“Nessa data, as emissoras de rádio, que operam em sistema de play list, terão suas programações normalizadas”, disse.

Ainda segundo a empresa, quatro banheiros passaram por manutenção ou reforma e desde o começo desta semana foram trocadas as velas dos filtros de água existentes nas copas. Está em tramitação na empresa o processo que vai permitir a recarga dos extintores fora de validade. Sobre atrasos no pagamento de salários, o débito é feito via Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos do Governo Federal.

Em relação ao prédio da Praça Mauá, a EBC informou que tem buscado solucionar a situação do Edifício A Noite, junto ao INPI. “O imóvel pertence à União e encontra-se fechado aguardando processo de obras”.


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