PF desarticula quadrilha que fraudava contratos de financiamentos de imóveis

Funcionários da Caixa aceitavam documentos falsos para membros de quadrilha receberem valores. Prejuízo passa dos R$ 100 mi. Maioria dos imóveis fica na Região dos Lagos.

Por O Dia

Rio - A Polícia Federal realiza nesta terça-feira uma operação para desarticular uma quadrilha que fraudava contratos de financiamentos de imóveis em três agências bancárias da Caixa Econômica Federal, no Rio de Janeiro, com um prejuízo estimado de aproximadamente R$ 100 milhões. Ao todo, 130 policiais cumprem 34 mandados de prisão e 31 de busca e apreensão, além do afastamento de dez servidores públicos, o sequestro de 20 veículos e o bloqueio de dezenas de contas correntes. Batizada de Dolos, a operação da PF ocorre também em São Paulo e Minas Gerais.

Segundo as investigações, funcionários da Caixa Econômica, inclusive gerentes regionais, facilitavam aos membros da quadrilha o recebimento de valores de contratos de até R$ 1 mi, aceitando documentos falsos, como declarações de Imposto de Renda (IR), identidades e registros imobiliários, e liberando os valores sem as devidas garantias.

A maioria dos imóveis estaria localizada na Região dos Lagos, tendo alguns recebido sobrevalorização de 1000% do valor real de mercado. Também foi constatado pelo registro de imóveis que há contratos cujos bens sequer existem.

Ainda de acordo com a PF, a liberação dos recursos desses financiamentos nas agências Pio X, LOTE XV e Riachuelo ocorria em um prazo médio inferior a quatro dias, sendo que nas demais agências do Rio de Janeiro o processo levava mais de um mês.

Nas declarações de IR informadas, as rendas declaradas não correspondiam ao valor de mercado comuns à realidade brasileira (Ex: comissário de bordo com salário de R$ 42.900,00, motorista com salário de R$ 37.900,00, tecnólogo com salário de R$ 35.000,00, etc.).

Os investigados estão sendo indiciados, na medida de suas participações, por associação criminosa, falsificação de selo ou sinais públicos, falsificação de documentos públicos, estelionato, peculato, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de capitais.

Ex-correntista enfrenta problema em uma das agências fraudadoras

Ex-correntista da Caixa Econômica, o professor de História, Rodrigo Antunes, 34 anos, enfrenta um problema em uma das agências envolvidas na fraude milionária com financiamentos imobiliários — a da Rua do Riachuelo, no Centro.

Segundo ele, o banco cobra por um débito indevido em sua conta. “Cancelei minha conta na Caixa há um tempo atrás, mas por erro de funcionários da agência continuo sendo cobrado pela manutenção de um serviço que não uso mais”. A dívida de Antunes, hoje, ultrapassa os R$ 2 mil.

O professor considera mais uma decepção para a população a descoberta de uma quadrilha agindo dentro da instituição: “Não consigo entender como pessoas que prestaram concurso para assumir um cargo desses, que se dedicaram aos estudos, joguem todo esse investimento fora.”

Antunes diz que a porta giratória é fundamental para a segurança. “Mas quem trabalha lá dentro também já provou ser uma ameaça”, diz professor, afirmando que novas fraudes podem ser descobertas.

Já o advogado Amarildo Franco não se surpreendeu com mais um escândalo no país: “O Brasil vive de corrupção. Quem hoje não está envolvido em um escândalo? Acho que essa seria a pergunta.”

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