Por felipe.martins
Publicado 18/03/2015 00:08 | Atualizado 18/03/2015 00:14

Rio - O Jardim Zoológico do Rio, que completa 70 anos nesta quarta-feira, precisa de uma repaginada. Problemas de infra estrutura, jaulas sem placas de identificação dos bichos, áreas interditadas como a Casa Noturna (estrutura que abrigava morcegos) e o Viveirão, são alguns dos problemas. O Ministério Público Federal, com base em um relatório do Ibama, cobrou da prefeitura uma série de reformas e modificações. Caso não seja apresentado um cronograma de obras até o fim do mês, o parque, que conta com mais de 2.100 animais em cerca de 600 espécies, pode fechar ou ter sua visitação suspensa. A prefeitura disse que se reúne hoje para definir as intervenções necessárias no RioZoo.

“A situação não é de maus tratos aos animais, mas sim de abandono com instalações precárias. No dia 23 de fevereiro enviamos notificação à Prefeitura e esperamos que ela apresente um cronograma de obras”, afirmou o procurador Sérgio Suiama.

Tartaruga conhecida como Mata Mata é o animal mais antigo do Zoo Ernesto Carriço / Agência O Dia

E os problemas não param por aí. Além de lixo despejado de forma inadequada, animais como a girafa Zagallo, um dos bichos mais populares do zoo, o abrigo onde o animal deveria se proteger do sol se encontra reduzido a uma armação de madeira, sem a cobertura original que deveria propiciar uma sombra. “Há muita ferrugem nas jaulas e algumas estão fechadas. Me decepcionei”, disse o baiano Valmir Almeida, de 46 anos.

BICHOS FAZEM SUCESSO NO RIOZOO

Paulinho, Pipo, Koala, Zagallo, Simba, Zé Colmeia e Willian. Nomes conhecidos do carioca continuam fazendo sucesso no Zoológico do Rio. Ainda desconhecida do público mesmo sendo o animal mais antigo do RioZoo, a tartaruga carnívora Mata-mata, que vive especificamente na região amazônica, é uma das grandes apostas para o aumento no número da visitação, que hoje atinge a média de 110 mil pessoas por mês.

“Ela é uma tartaruga com aparência bizarra e se alimenta de peixes. Quase ninguém a conhece, mesmo tendo mais de 50 anos vivendo aqui. Vai se tornar atração”, acredita o zootecnista Sérgio Machado, tratador de répteis.

Em comemoração aos 70 anos, haverá uma missa às 10hs. Em seguida atividades recreativas, educativas ambientais, exposição de fotos, apresentação de Teatro Cantado, além do parabéns com bolo ao meio dia.

Um dos bichos mais queridos do parque, o chimpanzé Paulinho, que veio do zoológico de Sorocaba, em São Paulo, com apenas nove meses de idade e ainda usando fraldas, completa no próximo sábado 30 anos de ‘carioquice’.

“Embora tenho uma identificação maior com o Pipo (outro chimpanzé), que é muito temperamental, o Paulinho, mesmo na presença de estranhos, pega o iogurte da sua mão. É um bicho mais sociável”, comentou o veterinário Luiz Paulo Fedullo, de 58 anos, 28 deles vividos no RioZoo.

Ainda segundo ele, durante a primavera (entre agosto e novembro), a instituição está se empenhando na reprodução de espécies em extinção como a Arara-azul-de-lear, Urubu-rei, Lobo Guará e macacos da amazônia.

Umas das maiores preocupações do Zoológico do Rio é com alguns visitantes que insistem em alimentar os animais, principalmente macacos, felinos e outros de grande porte. “Já achamos no estômago de um avestruz uma chupeta e várias moedas. Fazemos medicina preventiva para evitar que animais fiquem doentes”, explicou Luiz Fedullo, reconhecendo que a fundação necessita de pequenas reformas.

Após vistoria no dia 5 de fevereiro, Ministério Público Federal (MPF) expediu recomendações à Prefeitura do Rio de Janeiro, à Comlurb e à Fundação RioZoo para adequação do Zoológico às exigências do Ibama (Instrução Normativa n° 169/08). O descumprimento pode levar ao fechamento do parque, levando prejuízos aos animais e à sociedade. À Prefeitura, o MPF recomenda que seja providenciada a adequação do zoológico segundo projeto executivo já elaborado, inclusive com apresentação de cronograma de execução das obras, particularmente do chamado “setor extra”, dos centros de reprodução e dos recintos “Viveirão” e “Corredor da Fauna”.

Já à Comlurb, é recomendada a disponibilização de caçamba compactadora de lixo e unidade biodigestora de lixo orgânico para a Fundação RioZoo. A Fundação RioZoo, por fim, foi notificada a implementar sistema de coleta seletiva do lixo no local, inclusive por parte dos terceiros permissionários.

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