Por nicolas.satriano
Publicado 19/03/2015 23:17 | Atualizado 20/03/2015 03:50

Rio - O Ministério Público do Trabalho considerou, nesta quinta-feira, “abusiva” a greve dos garis, que já dura oito dias. Segundo argumento do órgão, a categoria paralisou as atividades sem respeitar o prazo de 72 horas exigido pela lei antes de paralisação. Em trecho do parecer da procuradora Deborah Silva Felix, a magistrada considera que população foi "surpreendida" pela não prestação dos serviço realizado pelos garis. "Entendemos que a atividade desenvolvida pelos trabalhadores é essencial", também consta no texto.

De acordo com a procuradora, o direito de greve, "para ser exercido legitimamente", deve observar os requisitos elencados em lei, o que, segundo a magistrada, não ocorreu integralmente. A assembléia dos trabalhadores convocada para decidir sobre a proposta de greve ocorreu no dia 12 deste mês, e o comunicado de paralisação ocorreu no mesmo dia. No dia seguinte, os garis entraram em greve.

Segundo o parecer, não houve risco à vida dos empregados da Comlurb ou atraso salarial que justificasse a antecipação da greve, que segue caracterizada como abusiva na forma como ocorreu.

Garis desrespeitam ordem judicial e fazem ato em frente à Comlurb

Impedidos pela Justiça de ficarem perto de prédios da Comlurb, líderes dos garis grevistas participaram de ato nesta quinta-feira na sede da empresa, na Rua Major Ávila, na Tijuca. Os manifestantes protestam no local, de onde seguirão até a Prefeitura no início da tarde. A greve dos trabalhadores já dura oito dias.

Garis fizeram nova passeata nesta quinta-feira. Greve já dura 8 dias Foto%3A Bruno de Lima / Agência O Dia

Os garis que desrespeitarem a ordem judicial serão multados individualmente em R$ 5 mil. De acordo com a decisão da Justiça Trabalhista, Célio Viana, Célio Moreira Dantas, Bruno Coelho de Lima e Valdenir Jorge de Souza Pinto, entre outros, devem manter uma distância mínima de 500 metros de prédios da Comlurb durante o período de greve.

Temporários sofrem ameaças

A greve dos garis revelou outro lado dramático da história: de trabalhadores que enfrentam grandes dificuldades e até ameaças de grupos em troca de uma diária de R$ 100.

No Batalhão da Guarda Municipal, em São Cristóvão, centenas de pessoas passam o dia na fila, em busca de uma oportunidade de trabalho. A maioria tem ficado dois dias sem dormir. “Cheguei aqui ao meio-dia de terça, fiquei para trabalhar até 3h da manhã. Quando acabou, devolvi o uniforme e voltei à fila, para poder trabalhar na quarta até 3h da manhã e agora estou aqui de novo para tentar receber. Sem poder nem beber água”, contou Luiz Felipe Souza, 18 anos, morador de Duque de Caxias.

Flávio Marcolino da Silva, 32, também tem passado por essa jornada. “A gente ainda sofre ameaças de madrugada. Teve uma turma que mandou a gente parar de trabalhar, e não havia guarda municipal para garantir nossa segurança. Tivemos que parar”, conta Flávio.


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