Chef cria a Coxinha Preta em protesto a 'apelido de burguês'

Iguaria popular fica escura no Bar Criolense, na favela da Babilônia

Por O Dia

Rio - A briga entre ‘petralhas’ e ‘coxinhas’, que monopoliza o debate político desde o ano passado, gerou um protesto bem-humorado no Bar Criolense, um dos points dos descolados na favela da Babilônia, Leme. Chateado com a descaracterização do nome da iguaria, o chef Reinaldo Annunciação, 38, lançou a ‘coxinha preta’ no seu menu, à base de feijoada.

“A coxinha é um prato popular, é do povo. Agora está sendo usada para designar a burguesia. É um absurdo”, diz, sério, Reinaldo, ressaltando que não defende nenhum dos lados — apenas o do salgado que adora.

Reinaldo (com um lenço na cabeça) apresenta seu delicioso protesto%3A coxinha preta à base de feijoadaAlexandre Brum / Agência O Dia

“É prato de pobre. Rico, quando come coxinha, usa garfo e faca.” Para o chef, nada mais justo de que seu salgado seja preto: a massa é feita com feijoada processada e amido de milho. O recheio tem couve, costelinha, paio e bacon. O preço é até popular, mas não muito: a porção com quatro custa R$ 15.

“Sabemos que existem muitas criações com feijoada por aí, mas nenhuma delas oferece uma coxinha com uma vista dessas”, diz Álvaro Maciel, 29 anos, também sócio do Criolense, referindo-se à laje onde montou seu negócio, de onde se vê do Forte do Leme ao Vidigal.

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