Ao todo, 71 são presos acusados de participarem de aborto ilegal no estado

Dados foram apresentados pela Polícia Civil à CPI da Alerj que investiga clínicas clandestinas de aborto

Por O Dia

Rio - Em investigação da Polícia Civil batizada de “Herodes”, que durou 15 meses, ao todo foram presas 71 pessoas acusadas de envolvimento de prática de aborto ilegal no estado. Os números apresentados à CPI das Clínicas de Aborto da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), nesta terça-feira, resultam de desdobramento da operação que, em outubro de 2014, tinha 75 mandados de prisão preventiva emitidos contra acusados do crime apresentados pela Corregedoria da corporação.

“A Corregedoria nos mostrou o desdobramento de uma investigação de muito sucesso, envolvendo uma quadrilha enorme que pratica o aborto em polos da cidade do Rio que já foram fechados”, afirmou o vice-presidente da CPI, deputado Márcio Pacheco (PSC).

Durante os 15 meses, a Polícia divulgou as fotos de todos os indiciados por integrar quadrilha de prática de aborto no RioAlexandre Brum / Arquivo Agência O Dia

Os números dados apresentados pela chefe da Corregedoria Interna da Polícia Civil, Adriana Mendes, mostraram que os locais de maior atuação dessas quadrilhas eram Campo Grande, Bonsucesso, Copacabana, Botafogo, Rocha, Tijuca e Guadalupe, que chegavam a realizar até dez procedimentos por dia.

Adriana contou que o valor cobrado pelo aborto variava de R$ 1.000 a R$ 7.500, dependendo da região, da idade da gestante e do tempo de gestação. Segundo informações da Corregedoria, somente a clínica em Bonsucesso já havia realizado dois mil procedimentos, resultando em um lucro de R$ 2 milhões.

Após a operação da Polícia, o número de denúncias a clínicas diminuiu, de acordo com a delegada.

“Temos consciência de que essas organizações criminosas estão desmanteladas em função da prisão e identificação de seus elementos. Por isso, vemos redução nas queixas”, explicou.

Parte do dinheiro que foi apreendido pelos agentes da Corregedoria da Polícia Civil na Operação HerodesAlexandre Brum / Arquivo Agência O Dia

Os participantes da audiência discutiram ainda a venda de medicamentos abortivos no estado. Segundo o titular da Delegacia do Consumidor, Gilberto Ribeiro, houve um esvaziamento do comércio desses produtos, porque muitos pontos, como a Rua Uruguaiana, foram descobertos pela imprensa e os fornecedores deixaram os locais.

A CPI pretende convidar para as próximas reuniões representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Conselho Regional de Medicina (Cremerj), para que os médicos possam dizer se os profissionais envolvidos nessas práticas tiveram registros cassados, e da Guarda Municipal, para saber como está a fiscalização da venda de medicamentos abortivos.

A comissão vai se reunir novamente no dia 7 de abril, às 11h, na Sala 311 do Palácio Tiradentes. Também estiveram na audiência os deputados Jânio Mendes (PDT), relator da CPI, Márcia Jeovani (PR), Paulo Ramos (PSol), Tiago Mohamed (PMDB) e Dr. Deodalto (PTN).

Últimas de Rio De Janeiro