Milicianos são suspeitos da execução de mulheres e criança na Zona Oeste

As vítimas estavam dormindo quando os encapuzados entraram no pequeno imóvel, em Vargem Pequena

Por O Dia

Rio - Duas mulheres e um menino de 3 anos, filho de uma delas, foram executados dentro de casa por dois homens encapuzados, nesta segunda-feira de madrugada, em Vargem Pequena, na Zona Oeste. De acordo com as informações iniciais passadas à Delegacia de Homicídios (DH) da capital, suspeita-se que elas tenham sido vítima de milicianos num acerto de contas, na comunidade Cesar Maia. Esta e outras três linhas de investigação são analisadas.

Vizinhos das vítimas, feridas por tiros de pistola no rosto, contaram aos agentes que Ana Carolina Neves, de 22 anos, e Taís Carvalho da Silva, de 32, não teriam quitado o pagamento de um carro adquirido junto a um miliciano que atua na Zona Oeste. Gabriel Loran Carvalho, filho de Taís, também foi executado a tiros. Uma criança de 8 anos que estava no imóvel foi poupada e não ficou ferida. Ela deverá ser incluída em programa de proteção à testemunha.

Parentes da vítima chegam à Divisão de Homicídios%2C na Barra da TijucaDiego Valdevino / Agência O Dia

As vítimas estavam dormindo, por volta das 5h, quando os encapuzados entraram no pequeno imóvel, de apenas um cômodo. Eles teriam fugido tranquilamente após o triplo homicídio, segundo contaram policiais do 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes).

“Três pessoas foram brutalmente assassinadas. Foi uma ação covarde de pessoas que serão identificadas. Foram cruéis, ainda mais porque teve criança. Temos linhas de investigação, mas não vamos abrir. Estamos chocados com esse homicídio. Isso não vai ficar assim, a gente não pode aceitar a banalização da violência”, comentou o delegado Rivaldo Barbosa.

Ainda de acordo com o policial, quatro pessoas já prestaram depoimento. Ele afirmou ainda que muitos tiros foram disparados, mas que outros detalhes da apuração serão preservados. Perguntado se as mulheres podem ter sido mortas por motivação homofóbica ou durante ação de milicianos da região, Rivaldo não quis dar detalhes.

“Não vou confirmar nada, mas adianto que ainda não há nada que ligue o caso ao crime homofóbico. Mas não podemos descartar nada”, frisou Rivaldo. Na Delegacia de Homicídios, parentes e amigos das vítimas não quiseram comentar sobre o caso. Uma mulher, que seria a mãe de Tais e avó de Gabriel, chorava e gritava copiosamente:

“Quero meu neto, quero meu neto de volta.”

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