Alerj cobrará da prefeitura derrubada de prédio anexo

Edifício será demolido para o projeto de revitalização do Centro do Rio, mas presidente da Assembleia Legislativa diz que não ‘vai dar de graça’ o imóvel

Por O Dia

Rio - O presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) disse que cobrará da Prefeitura do Rio, e por um valor que não será barato, pelo prédio anexo da Casa que o prefeito Eduardo Paes pretende demolir para as obras de revitalização da Zona Portuária. 

O anexo da Assembleia Legislativa do Rio (à direita) abriga os gabinetes dos deputados estaduaisFernando Souza / Agência O Dia


Picciani disse que Paes não conseguiu negociar um novo lugar para abrigar os gabinetes dos deputados. “Eu pedi ajuda ao Paes para comprar um novo prédio, mas ele não teve sucesso. Também não vou dar de graça o prédio para o prefeito demolir. Vou pedir à Procuradoria Geral do Estado um estudo de quanto ele vale e vendê-lo”, afirmou.

Conforme noticiou a coluna ‘Informe do DIA’ ontem, Picciani está de olho no tradicional Edifício Serrador, que fica na Cinelândia, para ser o novo prédio da Assembleia Legislativa.

Ele teria se reunido com o prefeito Eduardo Paes e com José Oreiro, do grupo Windsor, proprietário do Serrador, para a negociação. Os últimos inquilinos do edifício foram empresas de Eike Batista. De acordo com Picciani, como o empresário não aceitou a proposta, ele pretende pedir a desapropriação do imóvel para o governo do estado, alegando ser uma questão de utilidade pública. O dinheiro, de acordo com o parlamentar, viria do fundo da Alerj.

Se der certo, será a segunda vez que o empresário Oreiro terá um imóvel desapropriado pelo governo estadual. Sócio majoritário da rede de hotéis Windsor, ele era dono da boate Help, na Avenida Atlântica, em Copacabana, que teve que dar lugar ao Museu da Imagem e do Som.

Antecessor de Picciani na presidência da Alerj, o deputado Paulo Melo (PMDB), havia apresentado um projeto para a construção de uma nova sede na Cidade Nova — descartado pelo alto custo.

Ontem, o deputado Paulo Ramos (Psol) criticou a ideia de Picciani em plenário. Para ele, como na mudança o plenário continuaria na Praça 15 e os gabinetes iriam para a Cinelândia, isto inviabilizaria o trabalho dos parlamentares. “Concordo que o prédio anexo enfeia o cenário da Praça 15. Mas se a única opção for transferir os gabinetes para a Cinelândia, é melhor não demolir”, afirmou.

O empresário José Oreiro negou, através de sua assessoria, ter participado de qualquer reunião de negociação sobre o assunto.

Pedido de R$ 6 bi já chegou à casa

O projeto de lei que destina R$ 6 bilhões do Fundo de Depósito Judicial para o governo estadual pagar inativos e pensionistas do Rioprevidência já está na Assembleia Legislativa do Rio — apenas um dia depois de o empréstimo solicitado pelo estado ser acertado junto ao Tribunal Justiça.

O texto ainda precisa passar pela Alerj. Segundo o presidente da casa, Jorge Picciani (PMDB), o projeto deve ser objeto de emendas parlamentares amanhã e poderá entrar na pauta de votações já na próxima terça-feira.

Alguns deputados, entretanto, já manifestaram ser contrários a medida. O primeiro-secretário da Alerj, deputado Geraldo Pudim (PR) disse que a bancada de seu partido votará contra a mudança.“Nós entendemos que o empréstimo não resolve a crise do estado, é só um paliativo. Além disso, este dinheiro não pertence ao TJ para ser emprestado ao estado. Ele é das partes dos processo”, argumentou.

Na nova redação da lei, o estado terá direito de usar R$ 6 bilhões, ou 37,5% do fundo, que tem R$ 16,8 bilhões para pagar inativos e pensionistas. O valor se somará aos 25% que o estado já tem direito, o que representa mais R$ 4,2 bilhões, aproximadamente. O governador Luiz Fernando Pezão pediu o empréstimo devido à crise financeira do estado, especialmente por causa da queda com a arrecadação dos royalties do petróleo.

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