Por nicolas.satriano

Rio - Após greve de oito dias, os garis voltaram a protestar na cidade na manhã deste domingo. Os funcionários reivindicaram o abono das faltas no período da paralisação, considerado ilegal pela Comlurb. Os cerca de 30 pessoas, entre representantes e apoiadores ao movimento "Onda Laranja", distribuíram panfletos na orla da Praia de Copacabana, em frente ao Copacabana Palace.

Um dos organizadores do evento, Bruno Coelho, de 29 anos, contou que, com o desconto dos dias da greve, o salário dos garis passa de R$ 1.100 para R$ 600.

"A Comlurb e a prefeitura estão nos prejudicando. Com apenas R$ 600, como vamos pagar o aluguel, as contas e a escolas dos nossos filhos? Fico envergonhado de ver que o governo não garante o direito de quem cuida da cidade", reclamou Bruno.

Garis fazem novo protesto e reclamam de desconto por greve ilegal de 8 diasMaíra Coelho / Agência O Dia

Durante o protesto, os participantes discursaram em um megafone. Entre eles estava o funcionário conhecido como Célio "Gari", de 49 anos, que também está à frente do movimento. Segundo ele, a categoria vai continuar lutando por melhorias sociais e de trabalho.

"Há algumas unidades da Comlurb que não têm banheiro feminino. As nossas instalações são um verdadeiro lixo. O que a direção da empresa e a prefeitura fazem com a gente é um assédio moral. Dizem que aqueles que fizerem greve, vão ser demitidos", explicou Célio.

Além dos lixeiros, outras categorias participaram da passeata, como representantes do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), do Comperj, de partidos políticos e da sociedade civil.

"Nossa luta é unificada, e não só dos garis. Só assim podemos fortalecer a luta dos trabalhadores", disse o funcionário da Comperj Gilberto Soares, 52 anos, que veio de São Gonçalo para apoiar o movimento.

Com um cartaz "Je Suis Todo Apoio à Greve dos Garis", o camelô Edson Rosa, 45 anos, também se mobilizou com as reivindicações dos lixeiros:

"É um protesto de toda classe trabalhadora, é importante que a gente apoie. Desde 2013, sempre vou às ruas requerer direitos", contou Edson, que circulou com o cartaz entre os carros na orla.

Reportagem de Gabriela Matos

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