Mulher que pagou R$ 3 mil para matar marido é condenada a 16 anos de cadeia

Sentença foi dada nesta madrugada pelo juiz Jorge Luiz Le Cocq, que criticou a 'teatralidade' da acusada

Por O Dia

Zelly Vidal%2C mãe da vítima%2C e Tabachi%2C ao fundo%3A “é a justiça divina”Agência O Dia

Rio - O juiz do 2º Tribunal do Juri Jorge Luiz Le Cocq de Oliveira, condenou, na madrugada desta quarta-feira, a 16 anos de prisão, a bancária Anny de Moraes Viana, de 35 anos, pelo assassinato do marido, o gerente de banco Marcelo Vidal, 28, no Andaraí, em 15 de abril de 2008. Sandro Tabachi, um dos três homens - um deles seu próprio irmão, Alessandro, morto posteriormente - contratados por ela para tramar e executar a morte do rapaz, foi absolvido por homicídio qualificado, por motivo torpe e emboscada, motivos pela qual Anny foi enquadrada. Anny foi condenada, por volta de 2h30 desta manhã, pelos jurados, por quatro votos a três.

Em seu depoimento, no meio da tarde de terça-feira, Sandro, que até então negava participação no crime, acabou confessando que Anny pagara R$ 3 mil a ele e mais dois comparsas para a empreitada. “Teve ela (Anny) tempo suficiente para ponderar, refletir e, assim mesmo, achou melhor contratar assassinos de aluguel, ou seja, optou por destruir, da forma mais covarde possível, a vida de um jovem, de sua idade, mesmo emprego e também um futuro pela frente”, escreveu Le Cocq em sua decisão.

Segundo o juiz, o juri entendeu que Anny “forneceu todos os passos da vítima aos algozes e ficou aflita para saber se tudo ´dera certo´ na fatídica noite (do crime)”. Le Cocq criticou ainda o fato de Anny ter chorado por diversas vezes durante o julgamento e de ter tentado se eximir de culpa, alegando que ela teria sido vítima de supostas violência e traição por parte de Marcelo. “Repugnante a teatralidade que desenvolveu nos momentos e nos dias seguintes ao crime e até hoje desenvolve”, afirmou.

A mãe de Marcelo Vidal, Zely Vidal, de 70 anos, disse nesta tarde que “está de alma lavada” com a condenação da nora. “Eu sabia que podia confiar na justiça dos homens. Demorou (sete anos), mas ela agora vai pagar por ter tirado a vida do meu único filho, a coisa mais preciosa que eu tinha na vida”, comentou Zely.

Os outros envolvidos no processo, o suposto atirador, conhecido como Galinha, e Alessandro Tabachi de França, irmão de Sandro, foram mortos por traficantes. Anny era a única beneficiária de um seguro de vida da vítima, avaliado em R$ 380 mil, o que teria sido o principal motivo para contratar os matadores.

Para a surpresa de quem acompanhava o juri, Tabachi acabou mudando sua versão na última hora, de que não tinha relação com o crime, e confessou o envolvimento no assassinato. “Vou falar a verdade, só a verdade. Ela (Anny) me procurou pedindo que eu fizesse um serviço”, declarou. O serviço era a morte de Vidal. “Eu não fazia, mas chamei meu irmão, e ela combinou com ele”, descreveu Tabachi. A defesa de Anny vai entrar com recurso, solicitando outro julgamento.

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