Por adriano.araujo

Rio - Policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) colocaram, na tarde desta sexta-feira, barricadas em diversos pontos do Complexo do Alemão, na Zona Norte da cidade, após a série de mortes na comunidade nas últimas 48 horas. O Bope, assim como o Choque e o Batalhão de Operações com Cães (BAC), reforçam o policiamento na região por tempo indeterminado. 

O objetivo da colocação dos toneis, de aproximadamente 200 kg e cheios de concreto e areia, é proteger os contêineres que servem como base para as Unidades de Polícia Pacificadora que atuam na região. O contêiner da Base Avançada do Alemão, que fica na Rua Canitar, será retirado.

Policiais do Bope montam barricadas no Complexo do AlemãoReprodução TV Globo

Na sede administrativa da UPP Nova Brasília também está sendo instalado um ponto de fortificação. O contêiner onde funcionada essa base será retirado futuramente. A CPP avalia a necessidade de mais pontos de fortificação e instalações de cabines blindadas.

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Eduardo Ferreira estava sentado com o caderno escolar na porta de casa quando foi atingidoReprodução

Uma das vítimas da violência no Alemão, Elizabeth Alves de Moura Francisco, 41 anos, foi enterrada na tarde desta sexta-feira no Cemitério de Inhaúma, na Zona Norte. Um clima de tristeza e revolta marcou o sepultamento da moradora da Favela Nova Brasília. 

Ontem, cerca de 300 moradores do Morro do Alemão, no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, realizaram um ato pela paz após a morte à tarde do menino Eduardo de Jesus Ferreira, de 10 anos. Enquanto isso, parentes da criança prestavam depoimento na Divisão de Homicídios (DH), na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, responsável pela investigação do caso.

PMs do Batalhão de Choque que se envolveram na troca de tiros com traficantes, que culminou na morte da criança, tiveram as armas apreendidas e também foram ouvidos na madrugada desta sexta-feira.

Com velas e em silêncio, o grupo de moradores caminhou pela Rua Joaquim Queirós, do localidade do Areal, onde Eduardo foi baleado na porta de casa, até a Estrada do Itararé, principal acesso ao Morro do Alemão. Lá eles depositaram as velas na entrada da comunidade.

Quem mora no Complexo do Alemão tem reclamado das constantes e intensas trocas de tiros nos últimos 90 dias. O fato também foi lembrado durante o protesto. Só nas últimas 48 horas, quatro pessoas morreram - duas vítimas de balas perdidas e dois apontados como suspeitos.

Com informações de Athos Moura e Marcello Victor 

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