Por felipe.martins

Rio - A felicidade das 500 famílias que nesta quinta-feira receberam as chaves de seus apartamentos no condomínio Volterra, em Duque de Caxias, revela a inocência sobre os problemas que vão enfrentar por falta de infraestrutura. As moradias ficam no bairro Nossa Senhora do Carmo e foram entregues pela presidenta Dilma Rousseff e pelo governador Luiz Fernando Pezão.

Sem que novas escolas ou creches fossem construídas, o local recebeu, desde o início do ano passado, cerca de 10 mil moradores. Somadas às de quinta-feira, são 2,5 mil famílias. Entre os que já moram nos conjuntos, sobram reclamações sobre a dificuldade de se encontrar vagas em escolas para os filhos e não há creche pública na área. Além disso, eles contam que há interrupção frequente de abastecimento de água e energia.

O governador Luiz Fernando Pezão e a presidenta Dilma Rousseff inauguraram ontem mais 500 imóveis do projeto que%2C desde o início do ano passado%2C já contemplou mais Shana Reis / Divulgação

Responsável pela infraestrutura do bairro, o prefeito da cidade, Alexandre Cardoso, prometeu abrir licitação para a construção, num terreno ao lado dos conjuntos do Minha Casa Minha Vida, uma estrutura que receberá um posto da Saúde da Família, uma creche e um colégio. “Vamos fazer em parceria com o setor privado e em um ano e meio a obra estará finalizada”, afirmou o prefeito, que negou que tenha havido falta de planejamento. Segundo ele, foi necessário esperar que todos se instalassem nos novos imóveis para “verificar o perfil dos moradores.”

Entretanto, enquanto os colégios não ficam prontos, moradores têm de buscar vagas em unidades em outras áreas do município. Na nova casa há quatro meses, Angelita Alves da Costa, 33, diz que só conseguiu matricular as três filhas do outro lado da cidade. Para piorar, uma das filhas é cadeirante e os ônibus não são adaptados.

Os problemas de infraestrutura foram apontados pelo DIA em fevereiro de 2014, quando só tinham sido instaladas 500 famílias. Quinta-feira, ao lado de Dilma, Pezão prometeu mais uma vez resolver o problema da água no local e lembrou do empréstimo com a Caixa Econômica Federal para realizar o sistema de abastecimento Guandu 2, que, segundo diz, “resolverá de vez” a questão.

“Atualmente, se não guardarmos água em baldes ficamos sem. Vivemos em constante racionamento. Só tem abastecimento quatro dias por semana”, reclamou Rogéria Oliveira do Nascimento, 31 anos, morador há nove meses. A Cedae informou que vem abastecendo os condomínios. Já a Light não respondeu.

Dilma: ‘A Petrobras está de pé’

Em seu discurso nesta quinta-feira, Dilma afirmou que, desde 2010, o ‘Minha Casa Minha Vida’ já entregou 2,13 milhões de imóveis em todo o país, beneficiando 8,5 milhões de pessoas. A presidenta prometeu, para este ano, entregar mais 1,6 milhão de casas.

“Diziam que era factóide, que tínhamos criado para ganhar eleição, mas estamos mostrando que nosso compromisso é com os brasileiros que mais precisam”, completou ela, acompanhada por integrantes do governo, como o ministro Gilberto Kassab, das Cidades, e da presidenta da Caixa Econômica, Miriam Belchior.

Dilma ainda aproveitou que estava em Caxias, que abriga a maior refinaria do país — a Reduc — para garantir que a “Petrobras está de pé”. “A companhia limpou o que tinha de limpar, tirou quem usava de seus cargos para enriquecer seus bolsos. A Petrobras não só deu a volta por cima, como mostrou a que veio e o mundo reconhece. Nos próximos dias receberá em Houston, nos Estados Unidos, o maior prêmio que uma petroleira pode receber”, afirmou, lembrando que a estatal chegou nesta quinta-feira à marca de extração de 700 mil barris, um recorde.

Dilma também afirmou que Michel Temer, seu vice, é muito qualificado para negociar com o Congresso em nome do governo.

Quaquá: “um governo de idiotas”

Se já se sente desprestigiado por não ter conseguido emplacar um ministério no governo, agora, o PT do Rio terá mais um motivo para reclamar. Quinta-feira, na cerimônia de entrega dos imóveis do Minha Casa Minha Vida, o cerimonial de Dilma barrou o presidente regional do partido, Washington Quaquá, no palanque.

Ao seu lado, o prefeito de Queimados, Max Lemos (PMDB), que puxou o Aezão — movimento que pediu votos ao tucano Aécio Neves e a Pezão em outubro passado — logo entrou para o espaço que dava no palco, onde estava a presidenta.

“A desorganização demonstra bem as coisas: um governo de idiotas”, revoltou-se Quaquá. Ele disse que fora convidado na noite anterior. A Presidência da República não comentou o porquê de ter barrado o presidente nem suas declarações.

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