MP faz operação para prender quadrilha especializada em lavagem de dinheiro

Grupo comandado por ex-secretário municipal de Búzios movimentou R$ 16 milhões entre 2008 a 2013

Por O Dia

Rio - O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MPRJ (CSI/MPRJ), realiza nesta quinta-feira uma operação para cumprir seis mandados de prisão. A ação, denominada Curriculum Vitae, visa desarticular uma quadrilha especializada em lavagem de dinheiro que movimentou, entre 2008 a 2013, aproximadamente R$ 16 milhões. Os mandados estão sendo cumpridos no Rio de Janeiro, Búzios, Niterói, Rio Grande do Sul e São Paulo.

O ex-secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão de Búzios, Ruy Ferreira Borba Filho é apontado pelas investigações como líder do grupo. Ele se utilizava de diversas técnicas da lavagem de dinheiro, entre elas, estruturação (smurfing), mescla (commingling), transações comerciais e bancárias atípicas e incompatíveis com patrimônio e renda, dissimulação de negócios e transferências bancárias, além de sonegação fiscal.

De acordo com o MP, para abrir contas e movimentar recursos entre seus comparsas, Ruy Filho fundou a empresa de fachada RBF Participações e Serviços Ltda., que funcionava num apartamento em um prédio residencial, e a Fundação Bem Te Vi, instituição sem fins lucrativos controlada por ele e por outros três denunciados (Kauê Alessi Torres, Sérgio Fernando Trindade Dutra e Ana Paula Pacheco Prates Borba).

As investigações apontam que a RBF mantinha relações jurídicas com duas sociedades offshore, sediadas em paraísos fiscais, visando a integração dos recursos lavados: a Freemont Limited, com sede em Londres, e Greencastle International, localizada nas Ilhas Virgens Britânicas. A ocultação e dissimulação do dinheiro se davam, em parte, mediante remessas ilícitas ao exterior, que retornavam ao Brasil como simulação de empréstimos tomados por Ruy Filho, pela RBF e pela Fundação Bem te Vi, aparentemente de maneira legal.

O ex-secretário de Búzios se utilizava dos integrantes da quadrilha, entre eles Eduardo Renzullo Borgeth Teixeira e Luís Alberto Pacheco Prates Borba, para movimentar o dinheiro através de milhares de transferências e transações bancárias entre as empresas e seus comparsas e, por fim, entre os próprios denunciados pelo Ministério Público.

O MP também obteve o sequestro de bens e bloqueio de valores de todos os denunciados e de ambas empresas.

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