Vizinhos do Hotel Glória temem invasão de sem-teto

Tradicional edifício está com as obras paradas e pode ter mesmo destino de outro prédio de Eike Batista, invadido esta semana

Por O Dia

Rio - A decadência do empresário Eike Batista comprometeu os projetos que estavam em andamento. Abandonados, eles estão virando alvo de famílias que procuram lugar para morar e foco de mosquitos. Um desses empreendimentos com o futuro ameaçado é o Hotel Glória. Com as obras paradas há pelo menos dois anos, vizinhos ao tradicional edifício já temem que ele seja invadido.

Adquirido em 2008 por R$ 80 milhões, a única movimentação no local nesta quinta-feira era de cinco trabalhadores desarmando o guindaste de torre, que a empresa contratada aluga por R$ 50 mil por mês. Eike Batista e o fundo suíço Acron, assinaram um acordo conjunto para a restauração do empreendimento. O negócio feito pela REX, braço imobiliário do grupo EBX, estaria em torno de R$ 225 milhões. A previsão de abertura é abril de 2016.

As obras paradas no prédio do Hotel Glória atraem moradores de rua Márcio Mercante / Agência O Dia

“Quando o hotel funcionava, tinha muitos seguranças do lado de fora. Hoje, só tem um monte de moradores de rua. Vivemos um momento de apreensão”, relata a artista plástica Regina Mello, que mora em prédio ao lado do Hotel Glória. Ela teme que aconteça o mesmo que ocorreu esta semana com outro empreendimento do empresário, abandonado pela instabilidade financeira: o edifício Hilton Santos, no Flamengo, foi ocupado por 100 pessoas. O local foi parcialmente adquirido pela REX, por R$ 18 milhões. O imóvel de 24 andares e 170 apartamentos seria um hotel quatro estrelas.

Também por conta da crise financeira que atinge o Grupo EBX, a revitalização da Marina da Glória foi suspensa pela REX. A área acabou sendo vendida para a BRM Holding de Investimentos, em um negócio que envolveu outra empresa do grupo do milionário.

O Porto do Açu foi salvo antes que a LLX, braço direcionado para logística da EBX, acabasse com o projeto de uma mega região portuária, em São João da Barra, no Norte Fluminense.

Sem acordo com invasores

Em uma reunião que durou 10 minutos e terminou sem acordo, representantes do empresário Eike Batista disseram nesta quinta que vão entrar com ação de reintegração de posse do edifício Hilton Santos, no Flamengo, ocupado por 100 pessoas terça-feira. As famílias são as mesmas retiradas no mês passado do terreno da Cedae, na Zona Portuária.

“Eles não querem nossa ajuda, só querem ser incluídos em cadastro de programa de moradia popular”, disse um dos representantes, que não quis se identificar. Eles ressaltaram que, como o prédio estava em obras, há ferragens expostas, faltam de água e luz.

Nesta quarta-feira, somente uma viatura da polícia fazia a segurança do local. Líder dos ocupantes, Alexandre Silva diz que quer solução pacífica: “As pessoas necessitam de moradia.”

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